A Polícia Federal (PF) encontrou na churrasqueira do senador Ciro Nogueira (PP) uma lista com supostos nomes de parlamentares com “valores” sinalizados ao lado de cada nome. O documento tem no topo escrito “CAMARA” e é encabeçado pelo nome Arthur.
A lista foi encontrada pela corporação durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, que aprofundou investigações sobre suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional no dia 7 de maio. Porém, só foi revelado na sexta-feira, 11, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubar o sigilo de alguns documentos envolvendo o Caso Master.
Arthur, 40;Hugo, 10;Elmar, 10;Luizinho, 10 Adolfo, 10; Isnaldo, 10; Diego, 5; Altineu, 5; Netinho, 5.
“Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, disse a PF no documento revelado pela determinação de Mendonça.
Com a quebra de sigilo dos documentos do caso Master no STF, toda a investigação veio à tona. De acordo com a corporação, Ciro tinha pedido para uma funcionária queimar os papéis, mas a doméstica acabou esquecendo de realizar a queima do material. Segundo o jornal Diário do Nordeste, os agentes federais ainda escreveram que os nomes poderiam ser de parlamentares da Câmara dos Deputados e listaram no relatório.
Arthur Lira (PP-AL) afirmou ao g1 que “desconhece as anotações”; Hugo Motta (Republicanos-PB) disse que é uma associação “absurda”; Elmar Nascimento (União Brasil-BA) repudiou “completamente”. Os outros parlamentares não se manifestaram.
A quinta fase da Operação Compliance Zero apontou que o senador recebeu propinas de Daniel Vorcaro, incluindo pagamentos mensais que teriam chegado a quase R$ 500 mil. Ciro Nogueira também é investigado pela PF por aquisição de participação societária em empreendimento ligado a Vorcaro por R$ 1 milhão, enquanto as ações eram avaliadas em cerca de R$ 13 milhões.
As investigações da PF compreenderam que Ciro levou “vantagem negocial” de R$ 12 milhões em troca da defesa dos interesses de Vorcaro no Congresso Nacional. À imprensa, Nogueira se manifestou sobre a operação, afirmando ser vítima de “perseguição política”. “Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, disse em nota.