AO VIVO
CARREGANDO... WEB RÁDIO JUVENTUDE
AO VIVO
CARREGANDO... WEB RÁDIO JUVENTUDE
AO VIVO
CARREGANDO... WEB RÁDIO JUVENTUDE

Marechal Deodoro: a antiga capital de Alagoas que virou patrimônio a céu aberto

A menos de meia hora de Maceió existe uma cidade que já mandou no estado inteiro. Marechal Deodoro foi a primeira capital de Alagoas, perdeu o posto por decisão política no século XIX e ficou parada no tempo, o que hoje explica seu maior ativo: um centro histórico colonial protegido em nível federal, a poucos quilômetros de uma das praias mais conhecidas do estado.

O que o IPHAN protege nessa antiga capital?

Conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o conjunto arquitetônico e urbanístico do município foi tombado em 2009, e a área protegida envolve três locais descontínuos entre si: o Centro, a área do Carmo e a área de Taperaguá.

Dois detalhes chamam atenção de quem estuda urbanismo. O primeiro é a praça de origem da vila, que mantém a forma do período entre 1611 e 1636. O segundo é o modo como as construções se ajustaram às variações de nível das ruas, solução topográfica rara de encontrar preservada. No conjunto, destaca-se o Convento Franciscano de Santa Maria Madalena, de 1659. A cidade também é banhada pelas lagoas Mundaú e Manguaba, onde fica a Ilha de Santa Rita, a maior ilha lacustre do Brasil.

Marechal Deodoro, Alagoas // Créditos: depositphotos.com / rosarenan@hotmail.com

Por que a capital mudou de lugar no século XIX

A cronologia oficial começa cedo. Segundo a Prefeitura de Marechal Deodoro, a sesmaria de Madalena foi doada em 1591, o primeiro registro da povoação é de 1633 e a elevação a vila veio em 1636, com o nome de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul. Em 1823, virou cidade e passou a se chamar simplesmente Alagoas, condição de capital da província.

A mudança aconteceu em 1839, quando o cofre do Tesouro foi transferido para Maceió, movimento estratégico ligado à busca por um porto mais competitivo. O nome atual só chegou em 1939, em homenagem a Manuel Deodoro da Fonseca, nascido ali em 1827 e que viria a proclamar a República em 1889, tornando-se o primeiro presidente do país.

As obras que mudaram a cara do centro histórico

O tombamento não ficou no papel. De acordo com o IPHAN, o conjunto está inscrito em dois Livros do Tombo, o Histórico e o Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, e o órgão executou uma série de intervenções na cidade, incluindo a requalificação dos largos da Matriz, do Carmo e do Bonfim e a restauração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

O pacote soma mais de R$ 17 milhões em recursos aplicados no estado, com obras também na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e na sede da filarmônica mais antiga do município. Vale o contexto: conforme o IPHAN em Alagoas, apenas três cidades do estado têm conjuntos urbanos tombados, e esta é uma delas.

Quais atrações organizam o roteiro na cidade?

O município fica a cerca de 25 km de Maceió pela AL-101 Sul e o centro histórico é compacto, percorrível a pé em algumas horas. Confira abaixo o que estrutura a visita:

  • Museu Casa de Marechal Deodoro: sobrado onde o primeiro presidente da República nasceu e viveu a infância, com acervo da família.
  • Complexo Franciscano de Santa Maria Madalena: convento do século XVII que abriga o Museu de Arte Sacra, com peças barrocas em madeira, ouro e prata.
  • Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: principal templo do centro, alvo das obras recentes de restauro.
  • Palácio Provincial: prédio neoclássico que sediou o governo da província e hoje abriga a prefeitura.
  • Mercado das Rendas: espaço das bordadeiras, com peças em ponto filé, labirinto e singeleza feitas na própria cidade.
  • Praia do Francês: a mais conhecida do município, com trecho protegido por recifes e outro aberto ao mar.
  • Massagueira: margem da Lagoa Manguaba com restaurantes de frutos do mar, parada obrigatória de quem vem de Maceió.

Uma capital que virou museu a céu aberto

Marechal Deodoro reúne uma combinação difícil de repetir: conjunto urbano tombado em nível federal, um convento do século XVII com acervo sacro, a casa natal de um presidente da República e, a poucos quilômetros dali, praia com recifes e restaurantes à beira da lagoa. Perder o posto de capital, no fim, foi o que preservou tudo isso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *