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JHC tenta acobertar crise na campanha com pesquisa de instituto condenado por fraudes

Pesquisa anterior do Instituto Ranking teve divulgação proibida pela Justiça Eleitoral por ocultação de dados que interferem no resultado do levantamento

O candidato ao governo pelo PSDB, João Henrique Caldas, voltou a se apoiar em uma pesquisa realizada por um instituto condenado por fraude em outros estados para camuflar a crise vivida em sua campanha. Até mesmo a última pesquisa do Instituto Ranking em Alagoas, em agosto, teve a divulgação proibida devido à omissão de dados que interferiam diretamente no resultado do levantamento.

A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) apontou que o Instituto Ranking deixou de apresentar exatamente os locais onde a pesquisa foi realizada, omitindo municípios, bairros e detalhes das localidades onde os eleitores foram entrevistados. A ocultação desses dados impede a verificação dos pontos pesquisados, que podem ser direcionados para beneficiar um dos candidatos.

No levantamento divulgado por JHC nesta quarta-feira (9), o Instituto Ranking chega a desafiar a realidade depois do fracasso das atividades do candidato no interior do estado no último final de semana.

Na amostragem, o candidato do PSDB aparece com uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado. No mundo real, as “caravanas” de JHC no Sertão e até na Região Metropolitana, onde era esperado um desempenho melhor, mostram apenas a equipe de campanha do tucano e os funcionários contratados para levar bandeiras.

Condenações

O Instituto Ranking contratado por JHC coleciona uma série de processos e condenações em estados como Rio Grande do Norte, Maranhão e no Mato Grosso do Sul, onde a empresa é sediada, por fraudes em pesquisas eleitorais. As ações apontam a distorção grosseira da realidade e a repetição de dados idênticos em pesquisas feitas em períodos distintos.

Em 2024, a Justiça Eleitoral vetou a divulgação de dois levantamentos do instituto feitos no município de Jandaíra (RN) diante das evidências de erros nas informações registradas. Ao barrar a publicação, o juiz Rainel Batista Pereira escreveu que o volume de falhas “levanta grave suspeita de manipulação ou erro sistemático no processo de coleta e tabulação dos dados”.

Na eleição de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral do MS impediu a divulgação de pesquisas do Instituto Ranking para os cargos de governador, deputado estadual, deputado federal e senador. Segundo a ação, não houve informações sobre o número exato de municípios visitados e nem sobre os bairros e regiões das cidades informadas. Dados como gênero, escolaridade e renda também foram ignorados pelo instituto.

Em outro caso de 2024, o Ministério Público Eleitoral do MS pediu a condenação do instituto por causa de fraudes generalizadas nas pesquisas. Além da falsificação de dados, a empresa é acusada de ocultar a origem dos recursos que financiam o trabalho. Com isso, não se sabe quem pagou pelas pesquisas – o que é vedado pela Justiça Eleitoral.

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