A indefinição de JHC (PSDB) sobre qual cargo disputará nas eleições de 2026 começa a provocar tensão entre aliados e pode alterar a configuração da disputa em Alagoas. O ex-prefeito de Maceió avalia deixar a corrida pelo governo para concorrer ao Senado, movimento que o colocaria em rota de colisão direta com o deputado federal Arthur Lira (PP).
A possibilidade ganha peso às vésperas do encerramento do prazo para registro das candidaturas. JHC chegou a ser lançado pelo PSDB para o governo de Alagoas, mas não participou da convenção partidária realizada no último dia 5 e ainda não confirmou publicamente que seguirá na disputa pelo Palácio República dos Palmares.
Segundo O Globo, JHC esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília na segunda-feira, em uma reunião fora da agenda oficial. O encontro ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar as circunstâncias envolvendo R$ 97 milhões aplicados pelo instituto de previdência de Maceió em papéis do Banco Master durante a gestão do então prefeito.
JHC voltou a Brasília na quinta-feira, mantendo aberta a definição sobre sua candidatura. De acordo com a reportagem, interlocutores tanto de Lula quanto de Lira demonstram irritação com os movimentos recentes do ex-prefeito.
Uma candidatura de JHC ao Senado mexeria principalmente com a estratégia construída por Arthur Lira. O ex-presidente da Câmara incentivou o então aliado a concorrer ao governo, cenário que deixaria o caminho mais livre para Lira buscar uma das duas cadeiras de Alagoas no Senado.
A desistência de Alfredo Gaspar (PL) da disputa pelo Senado também favoreceu essa construção. Gaspar optou por integrar como vice a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, enquanto Lira avançou em articulações com prefeitos e lideranças municipais. A eventual entrada de JHC na corrida, porém, acrescentaria um concorrente de peso justamente ao espaço eleitoral pretendido por Lira.
Ao mesmo tempo, a mudança evitaria que JHC enfrentasse diretamente Renan Filho (MDB) na disputa pelo governo. O ex-ministro dos Transportes conta com o apoio do presidente Lula e integra o grupo político dos Calheiros, que também trabalha pela reeleição de Renan Calheiros ao Senado.
O Globo relata que diferentes forças políticas de Alagoas avaliam que JHC teria melhores perspectivas eleitorais em uma candidatura ao Senado do que na disputa pelo governo. Nesse cenário, poderia surgir uma tentativa de pacto de não agressão com os Calheiros, embora o grupo do MDB procure manter distância tanto de JHC quanto de Lira.
A aproximação recente de JHC com Lula acrescenta outra variável à disputa. Reeleito prefeito de Maceió pelo PL em 2024, ele posteriormente se afastou do campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. No ano passado, Lula nomeou Marluce Caldas, tia de JHC, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Apesar disso, segundo a reportagem, pessoas próximas ao presidente ainda demonstram desconfiança em relação ao ex-prefeito. JHC teria sinalizado anteriormente uma aproximação com a base governista, mas acabou escolhendo o PSDB, partido que lhe deu maior liberdade para definir seu caminho eleitoral.
Outro gesto recente reforçou as especulações. O Senado aprovou autorização para que a Prefeitura de Maceió contrate US$ 150 milhões, mais de R$ 780 milhões pela cotação mencionada na reportagem, junto ao Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics. A mensagem presidencial enviada por Lula foi relatada pela senadora Eudócia Caldas (PSDB), mãe de JHC.
No plenário, Eudócia relacionou o financiamento à implantação de um corredor BRT e à aquisição de 450 ônibus, apresentando o projeto como uma iniciativa desenvolvida durante a administração do filho em Maceió.
Há pressão também pelo lado bolsonarista. Flávio Bolsonaro sugeriu recentemente que Marina Candia (PSDB), mulher de JHC, dispute o Senado ao lado de Arthur Lira. Segundo O Globo, a possibilidade agrada a JHC, mas é vista com resistência por Lira, que teme o aumento da concorrência pela vaga.