A Polícia Civil de São Paulo investiga a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação, denominada Operação Vérnix, resultou na prisão da influenciadora e no seu indiciamento pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Um dos principais elementos analisados pelos investigadores são áudios entregues à polícia por uma ex-funcionária de Deolane, identificada como Denise Rosane Bastos. Nas gravações, a influenciadora aparece cobrando a devolução de R$ 80 mil que teriam desaparecido da residência de seu filho, Kayky. Segundo a investigação, Deolane utilizou um tom considerado agressivo e ameaçador ao exigir que o dinheiro fosse devolvido.
Denise, que trabalhou na residência da família por vários anos, nega ter furtado o valor. Ela relatou à polícia que passou a receber ligações, cobranças e ameaças após ser apontada como suspeita do desaparecimento do dinheiro. De acordo com seu depoimento, seguranças ligados à influenciadora chegaram a ir até sua casa, realizar buscas e acessar seu celular em busca de provas sobre o suposto furto.
Além das mensagens atribuídas a Deolane, a polícia também teve acesso a áudios enviados por pessoas não identificadas. Nessas gravações, os interlocutores afirmam que o dinheiro desaparecido teria origem criminosa e fazem ameaças para que o valor seja devolvido. Em alguns trechos, os autores das mensagens alegam ligação com integrantes do crime organizado e afirmam que o dinheiro seria utilizado em operações de lavagem de capitais.
Para os delegados responsáveis pelo caso, as gravações possuem relevância porque não tratam apenas das ameaças contra a ex-funcionária, mas também trazem referências à suposta origem ilícita dos recursos. Os investigadores entendem que os diálogos reforçam a linha de apuração segundo a qual valores em espécie encontrados no núcleo familiar de Deolane poderiam estar relacionados a atividades criminosas e a um esquema de ocultação de patrimônio.
A Operação Vérnix teve início após a descoberta de uma transportadora apontada pela polícia como empresa de fachada, que supostamente seria utilizada para movimentar recursos ligados ao PCC. Segundo a investigação, dezenas de empresas vinculadas à influenciadora teriam recebido recursos que agora estão sob análise das autoridades.
A defesa de Deolane nega todas as acusações. A influenciadora afirma que não possui qualquer ligação com organizações criminosas e sustenta que é inocente. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a origem dos recursos, a autenticidade das gravações e a possível participação dos envolvidos no suposto esquema criminoso.