AO VIVO
CARREGANDO... WEB RÁDIO JUVENTUDE
AO VIVO
CARREGANDO... WEB RÁDIO JUVENTUDE
AO VIVO
CARREGANDO... WEB RÁDIO JUVENTUDE

Correnteza em fotografias de Celso Brandão na Ilha do Ferro

NO COMEÇO, FOI CELSO BRANDÃO – o descobridor –, que imediatamente levou Cármen Lúcia Dantas. Depois, conduziu Tânia Pedrosa, e mais gente amante das artes populares. E a Ilha do Ferro ganhou o mundo. Arruado até então esquecido na ribeira alagoana do São Francisco, com suas fachadas de platibandas ombreadas, e casas com nome no lugar de números. A Ilha não é ilha, mas poderia ser considerada como terra de vida insular, em relativo isolamento geocultural. Indo ao ponto: a Ilha do Ferro está com uma imperdível exposição de fotos. E, passada a azáfama da inauguração, há quatro dias, estamos no melhor período para visitação.

“CORRENTEZA” É O NOME 
da exposição. Fotografias de Celso Brandão, colhidas nos anos 80. Estarão disponíveis para seus olhos, coração e mente, até 22 de novembro, na Galeria Cabra, no perímetro central da Ilha do Ferro – hoje famoso em todo Brasil – na área rural do município de Pão de Açúcar. Para chegar na mostra, é desnecessário número, ou mesmo rua, basta o nome do imóvel: Galeria Cabra. Pergunte onde é à primeira pessoa que você topar quando chegar no arruado. Simples assim. Vá e não se arrependerá. A curadoria é de Cármen Lúcia Dantas e Cíntia Ribeiro, com consultoria de Adélia Borges – assinaturas que são garantias universais.

UMA DAS FOTOS
, aqui reproduzida, é síntese perfeita da história da localidade, seus fazeres, e filosofia. Mirando a câmera, o saudoso Mestre Fernando exibe um cartaz com uma de suas máximas: “ISTO É TRADIÇÃO DA ILHA DO FERRO/ ANO NOVO/ FOI ARROZ/ FOI TAMANCO/ FOI QUILOMBO/ FOI CAVAIADA/ FOI SULIPA/ FOI TONELADA/ BOA NOITE/ FOI TELHA/ FOI SERRA VÉIO/ FOI PIMENTÃO/ E BANANEIRA COM TODA SUA EQUIPE DE PLANTIO/ VEJA MOCIDADE/ ISSO É TRADIÇÃO DO PASSADO”. Assinado: F.R.S. Fernando Rodrigues dos Santos (1928-2009) foi o primeiro dos grandes artistas da Ilha do Ferro a ser identificado por Celso Brandão, há mais de 40 anos. Destaque-se a informação sobre atividade tamanqueira do lugar. Para quem esqueceu, ou não calçou um bom par de tamancos nordestinos, a peça tinha um solado de madeira, mormente clara e leve, esculpida de forma a aninhar a planta do pé, e uma reata de couro (aberta, ou não, para as pontas dos dedos) completava a coisa. E o som da pisada era forte, típico, anunciava chegadas e partidas. Servia também como palmatória.

SÃO 25 CENAS 
eternizadas por Celso Brandão durante os anos 1980, imagens de uma comunidade ainda parcialmente isolada, cuja marca principal era/é a veia artística. Duas vertentes marcam os produtos “Made in Ilha do Ferro”: Esculturas em madeira, e rendas (onde de destaca o “Bordado Boa-Noite”). Recentemente, pinturas começaram a ser descobertas e incluídas no rol dos talentos ilhadoferrenses, como no caso da pintora Roxinha, cujas obras foram expostas no Rio de Janeiro, com grande sucesso, em maio de 2023. É arte pra todo lado. Pois a arte de Celso Brandão registra as artesanias, e a gente artista, desse lugar.

NÃO DEIXE DE IR
 para ver e viver, pelo menos por uns dois ou três dias, a Ilha do Ferro e sua Correnteza. Contados de Maceió, são 250 km, e vale a pena cada metro de estrada, indo e voltando, esses 500 mil metros. Acredite. Mas, descrendo, ver para crer, neste caso, é melhor ainda – então pegue a estrada. Você tem até 12 de novembro, repito. Os dias com feira, da segunda a sexta, são os mais favoráveis para vagas nas pousadas. Nos fins de semana, só marcando com bastante antecedência, ou contando com a sorte, mas tente. Se não dispor de contatos por lá, sugiro um zap para a Pousada da Vana [(79) 99640-3112], ou para a Pousada Redário [(82) 99982-0909], ou – melhor ainda – para André Dantas [(82) 98171-2723], cônsul de Nova Iorque na localidade, e sabedor de tudo no pedaço, sempre gentil e prestativo, responde também pelo Instagram @omacumba. Agende-se. Não resista: a Ilha é um imã.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *