O ACORDÃO DE BRASÍLIA

Costura política em Brasília aponta JHC fora das eleições de 2026 e alinhado a Renan Filho em Alagoas

Negociação nacional envolvendo Lula, PSB e lideranças locais redesenha cenário político alagoano; apoio ao MDB pode selar nova fase de alianças no estado.

Um acordo político articulado nos bastidores de Brasília pode mudar de forma significativa o rumo das eleições de 2026 em Alagoas. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), sinalizou que não deve disputar nenhum cargo eletivo no próximo pleito e, em vez disso, deverá apoiar o retorno do senador Renan Filho (MDB) ao governo estadual, em um movimento que envolve articulação nacional e rearranjo de forças regionais.

Segundo fontes ligadas às negociações, o entendimento foi costurado ao longo de meses, com participação direta do presidente Lula, da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e do prefeito de Recife, João Campos (PSB). Como parte do acerto, JHC também deverá se filiar ao PSB — embora a mudança de partido ainda não tenha sido formalizada.

A aliança, que surpreende pelo histórico de rivalidade entre os grupos de JHC e da família Calheiros, também incluiria apoio à reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), com quem Renan Calheiros, pai do senador, também ensaiaria um alinhamento.

Nos bastidores, o nome do ex-deputado João Caldas, pai de JHC, é apontado como peça central nas negociações. A articulação também envolveria, segundo apurações, o interesse na indicação da procuradora Marluce Caldas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), embora esse ponto não seja oficialmente confirmado.

Apesar da sinalização, há incertezas sobre a manutenção do acordo até o período eleitoral. Parlamentares próximos ao prefeito, como o deputado estadual Marcelo Victor, avaliam que o cenário ainda pode mudar, e não descartam uma eventual candidatura de JHC em 2026 — embora não se saiba a qual cargo.

A possível retirada de JHC da disputa representa uma virada estratégica e evita um confronto direto com Renan Filho, que tem forte estrutura partidária e apoio no interior do estado. Para analistas políticos, a decisão de não concorrer pode ser interpretada como uma forma de preservar o capital político do prefeito de Maceió e garantir influência por meio de alianças, evitando o desgaste de uma derrota em cenário adverso.

O acordo ainda não foi oficializado, mas já repercute entre lideranças locais como um divisor de águas na política alagoana, marcando uma fase de reaproximação entre forças antes adversárias, sob mediação nacional.

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