Olhando apenas pelo ângulo da frieza dos números, o PMDB mostrou força neste processo eleitoral. É certo que – com o governo do Estado de Alagoas e com uma bancada significativa na Casa de Tavares Bastos – a sigla ainda é detentora do maior capital político da Terra dos Marechais. Todavia, algumas derrotas inesperadas e a possibilidade de perder a capital alagoana para o rival político Rui Palmeira (PSDB), que terminou o primeiro turno em primeiro colocado, pode trazer dor de cabeças para o partido do governador Renan Filho e do senador Renan Calheiros. Ambos precisam de uma boa base de aliados para as disputas de 2018.
Renan Filho será candidato à reeleição e Renan Calheiros vai disputar mais uma cadeira no Senado Federal. De um lado, o governador pode enfrentar – diferente do que ocorreu nas eleições de 2014 – um PSDB fortalecido. Do outro, Calheiros tem que montar o cenário e ao mesmo tempo lidar com as acusações oriundas da Operação Lava Jato. O xadrez não é fácil.
Mas, nestas eleições, o PMDB foi o partido que mais elegeu prefeitos. Conquistou 38 prefeituras municipais. Todavia, perdeu em regiões importantes como Arapiraca, o Sertão e Delmiro Gouveia. Isto pode pesar no futuro. Agora, é lutar para vencer o segundo turno em Maceió com o deputado federal Cícero Almeida (PMDB) como candidato. A questão é que, na mais recente entrevista, Renan Filho não demonstrou tanto entusiasmo em defender seu candidato. Além das regiões citadas, o PMDB também perdeu em Pilar, Marechal Deodoro, e Palmeira dos Índios. Prefeituras que são consideradas estratégicas no embate político.
Foram 38 prefeituras, apesar de que a média da legenda era de ganhar em pelo menos 60 municípios. Foram eleitos em Pão de Açúcar (Dr Flavio), Senador Rui Palmeira (Jeane Moura), Carneiros (Geraldo Filho), Santana do Ipanema (Isnaldo Bulhões), Poço das Trincheiras (Aparecida), Maravilha (Conceição Albuquerque), Ouro Branco (Edimar Barbosa), Batalha (Marina Dantas), major Isidoro (Santana Mariano), Craíbas (Ediiel Leite), Cacimbinhas (Hugo Wanderley), Minador do Negrão (Gleysson Cardoso), Igaci (Dr. Oliveiro), Coité do Nóia (Seninha), Junqueiro (Carlos Augusto), São Brás (Marcos), Igreja Nova (Dona Vera Dantas), Mar Vermelho (Juliana Almeida), Paulo Jacinto (Marcos Lisboa), Quebrangulo (Marcelo Lima), Boca da Mata (Gustavo Feijó), Barra de São Miguel (Zezeco), Coqueiro Seco (Decele Damaso), Satuba (Paulo Acioly), Atalaia (Chico Vigário), Cajueiro (Palmery), Capela (Adelminho), Murici (Olavo Neto), União dos Palmares (Areski Freitas), Santana do Mundaú (Arthur Freitas), São José da Laje (Rodrigo), São Luís do Quitunde (Fernanda Cavalcanti), Japaratinga (Júnior Loureiro), Porto Calvo (David Pedrosa), Jundiá (Segundo) e Campestre (Pino).
O segundo partido foi justamente o de Rui Palmeira com 17 cidades: em Água Branca (Zé Carlos), Traipu (Eduardo Tavares), Olho D’Água Grande (Zé Adelson), Porto Real do Colégio (Aldo Popular), Feira Grande (Flávio do Chico da Granja), Arapiraca (Rogério Teófilo), Belém (Paula Santa Rosa), Teotonio Vilela (Joãozinho Pereira), Campo Alegre (Pauline Pereira), Pilar (Renato Filho), Messias (Jarbinhas), Branquinha (Jairinho Maia), Paripueira (Haroldo Nascimento), Barra de Santo Antônio (Emanuella Moura), Porto de Pedras (Henrique Vilela), Novo Lino (Lucia de Vasco) e Colônia Leopoldina (Manuilson Andrade).E assim, vai se desenhando o tabuleiro de 2018. Logo, Maceió vai definir muita coisa.
A situação parece ter sido pressentida pelo governador. Renan Filho – que teve o tempo todo ao lado de Almeida – não foi votar ao lado do candidato, que seria uma simbologia considerável no momento em que o PMDB precisava de força, e ao mesmo tempo driblou a imprensa. Talvez para evitar dar declarações sobre a possibilidade da eleição ter se encerrado no primeiro turno, o que não ocorreu. Talvez, o chefe do Executivo estadual já estivesse digerindo por antecipação algumas derrotas importantes que viriam. Elas vieram. Caso Rui Palmeira – que é o atual prefeito e busca a reeleição – vença em Maceió, surge como um candidato natural que deve enfrentar Renan Filho lá na frente. Mas isto não são fava contadas. Segundo turno é outra eleição e Almeida é sim um nome com densidade eleitoral.
Mas, em uma eventual vitória de Rui, lá na frente, os municípios que serão comandados por prefeitos opostos ao universo político dos Calheiros podem ser aliados importantes, como Arapiraca, que estará nas mãos dos tucanos. Rogério Teófilo não só se elegeu prefeito da segunda maior cidade, como derrotou tanto Renan Filho e Renan Calheiros (o candidato deles era o deputado estadual Ricardo Nezinho (PMDB)), mas também o senador Benedito de Lira (PP), que apostava em outro deputado: o Tarcizo Freire (PP). Estes parlamentares não perdem muito a curto prazo, pois retornam à Casa de Tavares Bastos. Claro que tudo depende também da avaliação que os prefeitos terão. Fora isto, o senador Renan Calheiros – que pode chegar ao ano de 2018 bastante abalado pelas denúncias que enfrenta na Lava Jato, mesmo alegando sua inocência – terá que recompor o tabuleiro de xadrez levando em conta as derrotas e os caminhos que estas abrem para o fortalecimento de virtuais candidato ao Senado Federal, como é o caso do ministro dos Transportes, Maurício Quintella (PR). Quintella pode ser candidato ao Senado Federal em uma chapa liderada por Rui Palmeira. Além disto, dentro do próprio PMDB, há um outro virtual candidato que é o deputado federal Marx Beltrão. Beltrão comanda outras pequenas legendas e pode mudar de partido caso queira mesmo acalentar este sonho.
Renan minimiza derrotas do PMDB, ressalta vitórias e pede que candidatos foquem em propostas
O governador Renan Filho comentou o resultado das eleições do último domingo e também falou sobre suas expectativas para o segundo turno na capital. Para ele tanto Rui Palmeira quanto Cícero Almeida precisam deixar de lado os ataques e focar nas propostas. Rui e Almeida decidem no próximo dia 30 de outubro quem irá administrar a capital nos próximos quatro anos.
O chefe do Executivo estadual falou que os candidatos precisam se concentrar em apresentar as propostas e deixar os ataques pessoais – que foram os pontos altos durante os debates realizado no primeiro turno – de lado. “Espero que a solução ao fim da eleição traga as melhores soluções para a capital. O segundo turno existe para se discutir mais. É legal prometer internet em praças, é bonito, mas não tem em escolas. Cícero e Rui devem assumir o compromisso de aumentar o IDEB de Maceió. Eu espero que neste segundo turno tenha menos ataques e mais propostas e espero que eles aprofundem a discussão sobre os problemas da cidade em todos os campos”, afirmou. É estranho de observar que em nenhum momento o apoio a Cícero Almeida foi ratificado.
Renan Filho também comentou sobre o panorama das prefeituras pelo interior do Estado, que colocou o PMDB como o partido que mais elegeu prefeitos em Alagoas. Durante sua fala, ele destacou que os novos gestores devem se concentrar mais na realização de ações e deixar de falar tanto em crise. “O resultado no que concerne à festa democrática foi satisfatória, as pessoas conseguiram votar de maneira pacifica sem grandes imbróglios. Com relação a meu campo político, tivemos um grande resultado, o PMDB fez uma grande eleição, elegeu o maior número de prefeitos. Isso significa muita responsabilidade para fazer os investimentos necessários. Desejo aos novos gestores que a partir de janeiro do próximo ano trabalhem, enfrentem a crise de cabeça erguida e parem de choramingar. Quem está na política não pode reclamar da crise. Quem foi candidato sabia que o país estava em crise”, disse.
Ronaldo Medeiros
O deputado Ronaldo Medeiros (PMDB), líder do governo na Assembleia Legislativa (ALE) classificou o pleito eleitoral como positivo para o partido. Em entrevista à imprensa após a sessão desta terça-feira, 4, ele avaliou que o PMDB saiu fortalecido das eleições com a conquista de 39 prefeituras e a presença no segundo turno em Maceió, maior colégio eleitoral do Estado.
“Até mesmo onde houve derrotas, a diferença foi muito pouca e o partido continua forte nas cidades onde não conseguiu a vitória… Isso é demonstração do trabalho que vem sendo feito, mas essa não é uma eleição estadual, é municipal. As pessoas quando vão votar não avaliam o trabalho do governo do Estado, avaliam a disputa local… Os debates são regionais”, analisou o parlamentar.
Ele também considerou muito positiva sua participação durante a campanha. “Eu tinha um prefeito que votava em mim nas outras eleições, agora eu tenho quatro prefeitos que votam hoje no deputado Ronaldo Medeiros, vários vereadores e alguns vice-prefeitos que apoiamos… Isso é mais responsabilidade ainda. Onde fizemos campanha, temos que ajudar os prefeitos a fazer uma boa gestão, ou todo o trabalho que fizemos antes não vale de nada”, afirmou, se referindo aos eleitos em Delmiro Gouveia, Inhapi, Cajueiro e Tanque D´arca. O líder do governo lembrou que em outros municípios onde atuou, como Ouro Branco e Canapi, seus candidatos não foram eleitos, mas tiveram boa votação.
fonte : CadaMinuto