Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

A educação, me parece, ser o ponto crucial na formação de um jovem. Em primeiro plano estamos convictos em afirmar que a mais importante educação é a doméstica, através de bons exemplos e orientação adequada às crianças, uma formação baseada nos princípios morais e nas virtudes. O complemento deve vir com a escola, que além de uma formação correspondente à aprendizagem básica da leitura, da escrita, da história e das operações matemáticas simples, ser acrescida com a compreensão do meio social, natural envolvente.

A educação familiar deve ser pautada em bons princípios, no uso cotidiano de formas educadas de lidar uns com os outros, no falar tranquilo e baixo, no uso de palavras que expressem delicadeza, como o bom-dia e boa-noite ou o pedir por favor, agradecer com um muito obrigado, pedir licença. Com o bom exemplo, a criança absorve os conceitos que as conduzem por toda a vida.

Porém o que comumente vemos são famílias que deseducam, possivelmente por não terem uma base sólida a ser oferecida como exemplo.

Daí ser necessário à escola, o complemento do que parecia falho na educação do jovem brasileiro.  E foi possivelmente com essa intenção que, a partir de 1969, com o Decreto Lei 869/68, foram oficializadas a OSPB – Organização Social e Política do Brasil – tornando-se obrigatória no currículo escolar brasileiro, juntamente com a disciplina de Educação Moral e Cívica (EMC), apesar de terem sido criadas em períodos diferentes – EMC pelo governo Getúlio Vargas e OSPB no governo João Goulart.

Apesar de, para alguns, exaltarem o nacionalismo e o civismo dos alunos, privilegiando o ensino de informações factuais em detrimento da reflexão e da análise, a OSPB se encarregava de ensinar aos estudantes o sistema político de nosso país, a Constituição e os deveres do cidadão brasileiro, enquanto a EMC – muito similar à OSPB – ministrada a estudantes dos primeiros anos do ensino fundamental, tratava basicamente dos deveres cívicos das crianças.

A ideia era transmitir aos jovens estudantes valores morais ligados ao governo da época, mas também passar bons conceitos de boa conduta e respeito às coisas públicas. Ambas foram extintas em 1993, durante o governo Itamar Franco.

“O Brasil que me dá saudade é o Brasil em que tínhamos OSPB na escola, que tinha estudos sociais na escola, em que cantávamos o hino nacional antes de entrar, chovesse ou fizesse sol”, afirmou há algum tempo o ex-senador Magno Malta. Ele não foi o único político que externou esse desejo. Alguns projetos foram lançados em câmaras municipais e de deputados de vários estados, mas não vingaram.

Vejo que a escola falha ao não discutir política e cidadania em salas de aula. Precisamos discutir sim, política, cidadania, direitos e aspectos da economia que afetam a vida das pessoas, discutir preconceitos, racismo e machismo. Com a ausência de disciplinas afins, as escolas abrem mão da tarefa de educar para uma sociedade melhor.

“Não se deve convencer o aluno a tomar certo lado, mas expor questões para que ele tome a própria decisão política”, disse O historiador Geraldo Inácio Filho, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). “Acredito que deveríamos ter a disciplina de educação para a cidadania. O futuro eleitor teria orientações para o funcionamento da república, por exemplo. Ensinar o que são os poderes. As pessoas não sabem os limites dos poderes” acrescentou Inácio.

Seja a que título for, é necessário que as escolas, a partir do ensino fundamental, incluam os aspectos morais e cívicos em seus currículos para que venhamos tentar reduzir a grande leva de analfabetos políticos que elegem os corruptos que usurpam nossos recursos.