
Conhecidos e anônimos continuam sendo vítimas da COVID 19. Ontem, fui surpreendido com a morte de Isnaldo Bulhões Barros. Independente de ter sido deputado estadual, conselheiro e presidente do Tribunal de Contas de Alagoas e, atualmente, prefeito de Santana do Ipanema, era meu amigo, e Eu não precisava está com ele conversando toda hora, fazendo visitas ou me encontrando para trocar boas idéias.
Nadinho, como gostava de ser chamado, era um cara sensacional, na gentileza, nos momentos de dificuldades dos outros, nos conselhos dados, na preocupação com os amigos. Não pedia nada para ele. Até para conquistar um voto, se enchia de pernas, como se diz na gíria, para pedir. Era um homem de grupo. O que deixava certo, tinha que ser cumprido. Gostava de ficar cercado por pessoas do bem.
Quantas vezes me encontrei com ele no Maceió Shopping e, entre um cafezinho e outro, muitas histórias, boas gargalhadas e assuntos sem fim. Ficava sempre no mesmo lugar e na mesma mesa, estrategicamente, para que pudesse falar com as pessoas. Uma das últimas vezes, acho que em dezembro do ano passado, tinha tanta gente parada, que parecia uma reunião de condomínio.
Perguntava sobre tudo e sobre todos. Queria ficar bem informado. Com uma lupa, que lhe ajudava a enxergar as mensagens no celular – sua dificuldade com a visão, comum aos irmãos Geraldo e Eraldo – prejudicava bastante, mas não lhe impedia de, com muita sabedoria, acompanhar tudo ao seu redor.
Surgiu na vida política pelas mãos do irmão, Geraldo Bulhões, cinco vezes deputado federal e ex-governador de Alagoas. Foi prefeito de Santana do Ipanema na década de 80 e estava novamente governando o município. Era um homem feliz, determinado e adorava o seu povo sertanejo. Tratava a todos com muito carinho.
Nos últimos meses andava entusiasmado com o projeto da Rádio Correio do Sertão FM. Dizia para os amigos que, como estava sem as portas abertas em outras emissoras, foi cuidar da sua, deixando-a com qualidade, uma grande estrutura física e de equipamentos, com uma equipe de profissionais qualificados.
Confesso minha tristeza com essa notícia do falecimento do meu querido Nadinho. Lembrarei dele todas as vezes que passar pelo café do shopping. Que a família receba o conforto de Deus, que entendeu ser essa a hora, aos 78 anos de idade, de levá-lo.
E ainda tem gente dizendo que isso não passa de uma gripizinha. Meus pêsames e que Deus ajude a todos nessa hora.