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Grupo de 26 deputados já participou da votação contra Collor em 1992

Parlamentares no plenário da Câmara dos deputados, no Congresso Nacional – Jorge William
BRASÍLIA – Depois de 24 anos, um grupo seleto de deputados irá participar novamente de um momento histórico da vida política brasileira: a votação da admissibilidade do pedido de impedimento de um presidente da República. Ao todo, 26 deputados que votaram em 1992 no processo contra Fernando Collor de Mello estão aptos a dar seu parecer sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Além de diferentes em suas características, os dois momentos provocam sensações distintas entre os parlamentares.

Decano da Câmara, o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) votou a favor do impeachment de Collor e também votará para que Dilma seja afastada. Na comparação entre o que viveu e vive agora, Miro recorre, desta vez, a uma metáfora que remete ao paladar:

ADVERTISEMENT— Eu uso as palavras do ministro Carlos Ayres de Brito, no julgamento do STF, quando condenou o réu: condeno com o gosto de jiló na boca. O jiló é amargo, e é esse gosto que sinto agora. Não votei na Dilma, mas ela vem das mesmas lutas de muitos de nós, a exemplo do (ex-presidente) Lula. Havia pontos em comum numa história, diferentemente do Collor — diz o deputado carioca.

INFOGRÁFICO: Álbum de recordações de 1992

Para Miro, há diferença grande entre os dois processos. No de 1992, a apuração foi feita pelo Congresso, que tinha em mãos as provas. Agora, a apuração vem da Lava-Jato e os parlamentares são informados pela imprensa. Ele afirma que, sem Lava-Jato e o telefonema de Dilma para Lula em que ela trata do termo de posse dele, o clima poderia ser diferente:

— Contra Dilma não existem as acusações que existiam contra Collor, de corrupção pessoal. Mas há fatos paralelos que criam uma convicção de que ela perdeu a condição de governar. É o que nos permite ter a consciência tranquila e esperar que o Brasil fique melhor com qualquer resultado.

‘AGRADEÇO A SEGUNDA CHANCE’

Para deputados que votaram pela manutenção de Collor, porém, a sensação é de alívio e redenção. Átila Lins (PSD-AM) diz que errou em 1992 por inexperiência, o que custou a estagnação de sua carreira política. Desta vez, não há quem o faça ficar contra a opinião pública:

— Agradeço a Deus a segunda chance que me dá de recompor minha história como político e com o povo do Amazonas. É a chance de me reconciliar comigo mesmo. Eu disse ao (Gilberto) Kassab (presidente licenciado do PSD): não tenho como repetir o erro de 1992!

Duas décadas e meia atrás, Nelson Marquezelli (PTB-SP) era líder do governo Collor e permaneceu com ele até o fim. Desta vez, sente-se livre para votar contra Dilma, mesmo tendo indicado cargos no governo. Ele acredita, ao contrário de Miro, que os motivos para o impedimento nos dois casos se assemelham (“falcatruas nos governos”). Marquezelli afirma apoiar o impeachment de Dilma com a consciência tranquila:

—A sensação agora é a de que teremos dias melhores. E, hoje, estou ao lado da maioria. É bem melhor.

Voto com ‘gosto amargo do jiló’ de votar pelo afastamento – André Coelho / Agência O Globo

Aos 79 anos, o deputado Paes Landim (PTB-PI) era aliado de Collor em 1992. Quando chegou sua vez de votar, porém, já havia dois terços a favor do impedimento, e, por isso, acabou ficando contra o aliado, “com dor no coração”. Desta vez, está indefinido, pois a votação envolve amigos e muita pressão:

— No caso do Collor, foi terrível, mas já não valia o sacrifício quando eu fui votar. Desta vez, também é. Sou muito amigo do Armando Monteiro (ministro do Desenvolvimento) e do governador (petista) do meu estado, Wellington Dias. Minha tendência é votar contra o impeachment, mas tem muita pressão do Roberto Jefferson e sou muito amigo do Michel (Temer) — diz o deputado do Piauí. — É o diabo

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) votou a favor do impeachment de Collor, mas é contra o de Dilma. Ela afirma que nem em 92, nem agora, sentiu-se constrangida. Mas vê diferenças gritantes entre os processos:

— Contra o Collor havia a comprovação de crimes. A presidente Dilma só cumpriu com o dever dela e não atrasou o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida. É o cúmulo que se faça isso (impedimento) pelo que ela fez de bom! Na época do Collor, havia unidade, da universidade aos morros, para que ele saísse. Agora, é o apoio à Dilma das universidades aos morros.

fonte:oglobo

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