Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado na sexta-feira, 20, expõe com clareza o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis brasileiros. O preço médio do litro do diesel nos postos de todo o país acumulou alta de 19,41% em apenas duas semanas — um salto que colocou o combustível mais utilizado pelo setor de transportes no centro do debate econômico nacional.
O litro do diesel saiu de uma média de R$ 6,08 — patamar vigente antes do início do conflito — para R$ 7,26 na mais recente medição. Somente na última semana, o avanço foi de 6,76%, quando o preço médio saltou de R$ 6,80 para o valor atual.
Em Alagoas, o diesel teve alta de 14,56% no período de duas semanas, de acordo com o levantamento. O preço médio do litro saiu de R$ 6,18 para R$ 7,08. A gasolina comum também registrou aumento nos postos subindo de R$ 6,33 para R$ 6,65em média. Já o etanol, por sua vez, teve variação mais tímida, passando de R$ 5,13 para R$ 5,18.
A variação regional, no entanto, revela disparidades acentuadas: o maior preço identificado pela ANP no país chegou a R$ 8,99 o litro do diesel, registrado no município de Brumado, na Bahia. No extremo oposto, João Pessoa, na Paraíba, concentrou o menor valor encontrado, com o litro a R$ 5,79.
Petróleo e o Estreito de Ormuz
O aumento dos preços dos combustíveis ocorre por causa dos ataques lançados pelos Estados Unidos contra o Irã desde 28 de fevereiro, após acusar o país asiático de implementar medidas para o desenvolvimento de bomba nuclear. Tal pretensão foi negada pela ONU.
A escalada dos preços dos combustíveis no Brasil tem origem direta em dois fatores: a disparada do petróleo no mercado internacional e o aperto na oferta global da commodity. As cotações atingiram o nível mais elevado em quase quatro anos, reflexo direto das tensões geopolíticas que dominam o cenário energético mundial.
Resposta do governo Lula
A resposta do governo federal à disparada dos combustíveis veio em duas frentes. Na primeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o fim da cobrança de PIS e Cofins sobre o óleo diesel, medida adotada para blindar o país contra o risco de desabastecimento.
Na segunda, Lula enviou uma solicitação formal aos governadores pedindo que os estados acompanhassem o movimento e promovessem redução equivalente no ICMS. O apelo, contudo, esbarrou em resistência: o Comsefaz — Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal — bateu o martelo na terça-feira (17) e descartou qualquer corte no imposto estadual sobre combustíveis.
Na tentativa de abrir uma brecha na negativa dos estados, o Ministério da Fazenda colocou uma nova proposta sobre a mesa ao longo desta semana: zerar o ICMS sobre o diesel importado até o final de maio, com a União absorvendo metade das perdas de receita dos governos estaduais. O desembolso federal seria de aproximadamente R$ 3 bilhões por mês. Mesmo assim, a adesão ao plano seguiu tímida — o governo federal reconheceu que apenas um governador havia respondido oficialmente à iniciativa até o momento.

