O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal desarticularam uma organização criminosa (ORCRIM) especializada em fraudar concursos públicos de elite, incluindo o Concurso Nacional Unificado (CNU), Polícia Federal e certames bancários. A investigação, que corre na Justiça Federal da Paraíba, na 16ª Vara Federal da Paraíba, aponta o Delegado-Geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, como um dos líderes do grupo.
As provas colhidas pela Polícia Federal revelam que a organização possuía ramificações profundas em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, contando com o apoio de policiais civis e até de um vereador de Arapiraca para obstruir investigações e vazar informações sobre operações policiais.
O papel da liderança
Segundo depoimentos de colaboradores premiados, Gustavo Xavier exercia influência direta na quadrilha. Ele é apontado como o responsável por coordenar a logística e garantir a segurança do esquema.
Relatos indicam que o delegado utilizava sua posição para coagir outros membros do grupo. O objetivo era assegurar a aprovação de seus familiares – mais especificamente, sua esposa, Aially Soares, e seu irmão, Mércio Xavier – em cargos públicos de alta remuneração.
A estrutura do crime
A investigação detalha que o esquema funcionava em duas frentes principais:
Vazamento de Provas: Um coordenador de local de aplicação, identificado como “Mister M” (Waldir Luiz de Araújo Gomes), rompia os lacres dos malotes antes do início das provas para fotografar as questões.
Uso de Clones: Para garantir a nota máxima, a quadrilha utilizava “clones” – pessoas preparadas que faziam as provas no lugar dos candidatos reais utilizando documentos falsificados.
“Um nacional conhecido por Delegado Xavier, através de preposto tal como Eudes, coagiu Thyago a passar a fraudar concurso público a seu mando”, revelou um dos colaboradores em depoimento homologado pela Justiça.
Ostentação e Lavagem de Dinheiro
A movimentação financeira do grupo chamou a atenção das autoridades. Em um dos casos citados, a esposa de um dos envolvidos realizou um depósito de R$ 419.600,00 em espécie, sem qualquer lastro financeiro. Para o cargo de Auditor Fiscal do Trabalho no CNU, o valor cobrado pela “vaga” chegava a R$ 500.000,00.
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Decisão Judicial e Próximos Passos
Nesta fase da operação, o juiz federal Manuel Maia de Vasconcelos Neto autorizou a busca e apreensão em endereços ligados a Gustavo Xavier e seus aliados, além da quebra de sigilo telemático e interceptação telefônica de 12 investigados.
Embora o pedido de prisão preventiva contra o Delegado-Geral tenha sido indeferido neste primeiro momento por falta de “fatos contemporâneos” que justifiquem a medida extrema, o magistrado ressaltou que a investigação precisa ser “verticalizada” diante da gravidade das denúncias de corrupção policial.
A defesa dos citados ainda não se manifestou oficialmente sobre os detalhes do processo nº 0806655-40.2025.4.05.8200.

