Piaçabuçu (AL) — Um filhote de baleia-jubarte foi encontrado sem vida na manhã desta sexta-feira (22), na Praia do Pontal do Peba, município de Piaçabuçu, região do Baixo São Francisco. O animal, com cerca de 4,10 metros de comprimento, apresentava marcas de mordidas, possivelmente feitas por tubarões. É o segundo caso semelhante registrado na mesma praia em menos de duas semanas.
De acordo com Mário Macedo, chefe da Área de Proteção Ambiental (APA) de Piaçabuçu, o animal era um macho juvenil. A hipótese inicial é de que a baleia tenha morrido em alto-mar e sido arrastada pelas correntes marítimas até a costa. As marcas de mordida observadas indicam que os tubarões teriam se alimentado do corpo após a morte do mamífero.
“Não há indícios de que os ferimentos tenham causado a morte. O mais provável é que os tubarões tenham aproveitado o cadáver”, explicou Macedo.
Técnicos do Instituto Biota foram acionados para recolher amostras do animal, que serão encaminhadas para análise em Maceió. O objetivo é tentar determinar a causa exata da morte e verificar se o encalhe está relacionado a algum fator ambiental ou patológico.
O caso chama atenção por sua repetição: há cerca de 10 dias, outro filhote de jubarte foi encontrado morto na mesma praia, também com ferimentos compatíveis com ataques de tubarões.
Migração sazonal e riscos naturais
Entre os meses de julho e novembro, as baleias-jubarte se aproximam da costa brasileira durante sua migração reprodutiva. Elas deixam as águas geladas da Antártida e buscam as regiões tropicais do Atlântico Sul para acasalar e dar à luz.
Embora a presença desses animais nas praias brasileiras seja comum nesse período, encalhes ainda são motivo de preocupação para ambientalistas e biólogos marinhos, principalmente quando ocorrem em sequência e em uma mesma localidade.
Especialistas reforçam que, embora os tubarões estejam associados aos ferimentos, não há evidências de ataques predatórios enquanto o animal ainda estava vivo.
Monitoramento e preservação
Órgãos ambientais seguem monitorando o litoral alagoano para identificar padrões ou anomalias nos recentes encalhes. A APA de Piaçabuçu e o Instituto Biota alertam para a importância da preservação desses cetáceos, cuja população tem se recuperado nas últimas décadas, mas ainda enfrenta ameaças como colisões com embarcações, redes de pesca e poluição marinha.

