Novos relatos reforçam as investigações sobre os crimes ocorridos em uma clínica de reabilitação em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió. Ex-internos afirmam terem sofrido espancamentos, dopagem e maus-tratos no local, onde a esteticista Cláudia Poliana morreu em circunstâncias ainda apuradas pela Polícia Civil. A dona da instituição foi presa nesta sexta-feira (15), e o marido dela, também proprietário, está sendo procurado.
Um dos ex-internos, em vídeo, contou ter presenciado agressões dentro da clínica. “Cheguei a ver várias vezes a Poliana sendo espancada. Ele [o dono] batia nos pacientes e a esposa era conivente. Quando estava alterado, chegava a quebrar vassouras nas meninas”, relatou.
Esse mesmo ex-interno afirmou que saiu há pouco tempo da unidade com costelas quebradas em consequência das agressões. Ele mostrou em vídeo os ferimentos, reforçando os indícios de violência praticada dentro da instituição.
Outra vítima, um homem, formalizou denúncia em boletim de ocorrência, relatando as condições entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Segundo o documento, o local, identificado como Comunidade Terapêutica Luz e Vida, funcionava sob responsabilidade de Jéssica da Conceição Vilela e Maurício Anchieta de Souza, e praticava diversas violações contra os internos.
“Desde o primeiro contato já percebi que ali não havia acolhimento nem condições básicas. O banho era cronometrado em dois minutos, a comida era tipo ‘lavagem’. Éramos dopados dia após dia, ameaçados, xingados e sofri agressões físicas, chegando a ter três costelas quebradas pelo proprietário. A permanência se tornou forçada, éramos impedidos de ter contato com a família. Presenciei agressões diversas, homens e mulheres todos juntos, dopados, em esquema de cárcere privado e tortura sob fachada de tratamento”, descreveu.
Ele também afirmou que os internos eram submetidos a torturas diárias: “Ao acordar, precisávamos correr ao redor da piscina, em jejum, fazer polichinelos sob o sol e sob efeito de medicamentos. Só consegui ser resgatado porque uma foto minha chegou ao meu irmão, que percebeu que eu não estava bem e me tirou de lá”.
O caso de Cláudia Poliana também gera revolta entre amigos. Em entrevista ao GazetaNews Tarde, nesta sexta-feira (15), a amiga Moniguy Pinto declarou que a vítima apresentava sinais claros de violência no velório. “Ela estava com o olho roxo, a cabeça afundada e um corte na nuca. Isso não é suicídio”, afirmou.
Além das agressões, há relatos de abuso sexual contra mulheres internadas, inclusive menores de idade. As investigações seguem em andamento.

