EX-SENADOR AFASTADO POR CORRUPÇÃO, GANHA R$218 MIL DE SALÁRIO DO MP DE GOIÁS

Foto: Marcello Dantas – O Popular

Notícia da Folha mostra como se passam as coisas neste Brasil onde “a lei é para todos” e “por mais alto que você esteja, a lei está acima de você”: Monica Bergamo publica que o Demóstenes Lázaro Xavier Torres (DEM), nascido em Anicuns(GO), em 1961, de formação jurista, foi senador de 2003 até 2012, quando foi cassado pelo Senado Federal por quebra de decoro parlamentar. Hoje, como procurador de Justiça em Goiás, recebeu do Ministério Público do Estado de Goiás um salário bruto de R$ 218.547,17 em novembro.

Como procurador de Justiça, Demóstenes ganha cerca de R$ 30 mil, mas recebeu atrasados como “abono-permanência”, isto é, o que foi recolhido como contribuição previdenciária dos seus vencimentos enquanto estava sendo processado disciplinarmente por suas conversinhas mofinas com o contraventor.

Em março de 2012, conforme apurado nas investigações da Operação Monte Carlo, a Polícia Federal revelou que Demóstenes Torres tinha ligação com Carlinhos Cachoeira, pivô do escândalo que ficou conhecido como “máfia dos caça-níqueis” em Goiás, em 2004.

Demóstenes à época, negou que tivesse negócios com Carlinhos, a quem chamou de “empresário”, e justificou as 298 ligações telefônicas como “uma grande amizade”.

No dia 23 de março de 2012, a imprensa noticiou que gravações da Polícia Federal revelaram que o senador Demóstenes Torres pediu dinheiro e vazou informações de reuniões oficiais a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Demóstenes, era considerado o paladino da ética, mas foi apanhado em diálogos íntimos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Coisa inocente, como este trecho transcrito pelo G1:

– Cachoeira: Escuta, aquele negócio que eu pedi procê olhar lá, já checaram lá, aquela lei do Maguito?
– Demóstenes: Já checaram a lei do Maguito (…..) Tá na Câmara já no último estágio.
– Cachoeira: Pois é, agora, vou dizer, ocê é que tinha que trabalhar isso aí com o Michel. Pra por em votação. Porque seria interessantíssimo, né?

O “Michel” citado por Cachoeira é vice-presidente Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, e “Maguito” é Maguito Vilela, que foi senador por Goiás.

O Supremo disse que as gravações foram ilegais, mas, ao contrário das de Moro sobre Dilma que Gilmar – um dos que absolveu Demóstenes – considerou válidas como prova, quando se tratou de afastar Lula no cargo de Ministro, foram anuladas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br/

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