O consumo de bebidas alcoólicas deve ser reduzido ao mínimo possível e até a zero, já que favorece o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, afirmam organizações de saúde, como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o INCA (Instituto Nacional de Câncer).

Para alguns pode parecer demasiadamente restritivo, mas não existem níveis seguros para a exposição a agentes associados ao desenvolvimento de câncer, como também acontece com o tabaco. No Brasil e em outros países, o consumo de álcool cresceu durante a pandemia, de acordo com novos estudos.

Quanto maiores a dose e o tempo de exposição, maior será o risco. Os tipos de câncer mais comuns relacionados ao álcool, de acordo com o instituto, são o de boca, faringe, laringe, estômago, fígado, intestino e mama.

A explicação está no principal mecanismo de como o álcool causa a doença, ao prejudicar o reparo do DNA — com o acúmulo de danos, as células podem dar origem a tumores. Já no caso de câncer de mama, a bebida alcóolica desregula os hormônios sexuais, que interferem na proliferação celular.

O alerta ganhou reforço nesta semana com a divulgação de um novo estudo realizado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à OMS.

Os pesquisadores encontraram indícios do aumento do risco de diversas formas de câncer inclusive entre quem tem consumo de leve a moderado — de até duas doses por dia. Este grupo representa um em sete dos novos casos de câncer em 2020.

No entanto, quase metade (46%) dos cânceres atribuíveis ao álcool tem relação com a ingestão excessiva. Os maiores índices foram registrados na Ásia Oriental e Europa Central e Oriental, e os mais baixos, no norte da África e Ásia Ocidental.

O estudo da OMS, publicado na revista Lancet Oncology, identificou que 4% dos novos casos de câncer em 2020 tiveram relação com o consumo de álcool, o que corresponde a 740 mil ocorrências em todo o mundo. Desses, 76% foram diagnosticados em homens, e os mais comuns foram de esôfago, fígado e mama, nesta ordem.

No caso das mulheres, uma taça de vinho por dia representa um risco 6% maior de desenvolver câncer de mama, segundo os pesquisadores.

Diante das consequências do consumo de álcool, os pesquisadores envolvidos no estudo advertem que os governos precisam desenvolver políticas públicas que limitem a disponibilidade e a comercialização de bebida alcoólica como forma de prevenir o aumento de casos de câncer.

Para inferir os novos casos de câncer atribuíveis ao álcool, os estudiosos combinaram as estimativas de consumo de 2010 registradas no Sistema de Informação Global sobre Álcool e Saúde, organizado pela OMS, com os índices de risco relativo encontrados na literatura científica.

Em seguida, quantificaram a contribuição do consumo moderado, arriscado e pesado de bebida alcóolica para calcular o total de cânceres atribuíveis ao álcool, considerando que o período entre o  consumo  e o aparecimento do câncer seria de 10 anos, em média.

(Fonte: Agência Einstein)