O senador Romário, relator do projeto que cria a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, durante reunião em que o projeto foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos do Senado (Antonio Cruz/Agência Brasil)

A Justiça do Rio determinou o leilão de bens do senador Romário (PL-RJ) avaliados em R$ 8 milhões. A lista é composta por uma casa em um condomínio na Barra da Tijuca, Zona Oeste, uma lancha e dois carros de luxo — um Porsche e um Audi. O valor arrecadado será usado para abater uma dívida do parlamentar com uma empresa com a qual rompeu um contrato há 20 anos, na época em que era sócio do restaurante Café do Gol.

Os interessados já podem apresentar os lances, de forma on-line — o prazo se encerra na próxima quarta-feira. Caso os valores pedidos não sejam atingidos, uma nova rodada será aberta por mais uma semana. Nesta segunda etapa, se necessária, os lances mínimos cairão à metade.

A decisão judicial, além de selar mais uma etapa do reconhecimento da dívida, cujo pagamento vem sendo postergado há mais de uma década, é o elemento definitivo de confirmação da real propriedade do imóvel, dos veículos e da embarcação. Todos os bens estavam em nome de Zoraidi Faria, irmã do parlamentar — documentos colhidos em juízo evidenciaram que ela não tinha lastro financeiro para as aquisições.

O passivo de Romário com a empresa gira em torno de R$ 20 milhões e é decorrente de perdas e danos pela rescisão e multas sequenciais em função do descumprimento de ordens de pagamento.

Em 2018, O GLOBO mostrou que o senador ocultava patrimônio em nome de terceiros. Àquela altura, dois apartamentos em um prédio na orla da Barra já haviam sido leiloados, também para quitar passivos judiciais. Os imóveis permaneceram em nome da construtora que fez a venda, mas a empresa confirmou à Justiça que Romário era o comprador.

O artifício de deixar bens registrados formalmente com terceiros, o que torna mais difícil a busca e, consequentemente, a penhora, foi registrado durante a longa batalha judicial — um dos processos data de 2001 — por uma das magistradas responsáveis pelo caso.

“O expediente é tal flagrante que não pode ser ignorado. Não é preciso maior dilação para se concluir pela ocultação de patrimônio para fraudar credores”, escreveu a juíza, em um despacho de outubro de 2017.

Versão desmontada

De todos os bens que estão sendo leiloados, o de maior valor é uma casa, com lance mínimo de R$ 6,5 milhões. O terreno tem 1.575 metros quadrados e conta com piscina e campo de futebol — a edificação, por sua vez, tem 896 metros quadrados. Em resposta ao GLOBO, em 2018, o senador negou ser dono do imóvel, que dizia pertencer à irmã — versão desmontada por documentos e pelo depoimento da vendedora da casa, que disse em entrevista ter vendido o imóvel a Romário.

No curso do processo, Zoraidi alegou que morava no imóvel, que seria um bem de família e, portanto, não poderia ser leiloado. A Justiça, no entanto, determinou que o real dono é o senador.

Após a compra ser efetivada, uma obra no local chegou a ser embargada, por não ter autorização, e houve um pedido da área técnica da Secretaria Municipal de Urbanismo para que fosse demolida. Então prefeito, Marcelo Crivella reverteu a decisão.Nos anos seguintes, o senador usou o espaço para dar festas e receber amigos, como mostram registros em redes sociais.

Também fazem parte do acervo uma lancha, que fica na Marina da Glória, e está avaliada em R$ 812 mil; um Porsche, de R$ 338 mil; e um Audi, de R$ 397 mil. Procurado, Romário não se manifestou.

Fonte: Extra