Durante a pandemia, o uso das tecnologias aumentou – seja para lazer ou para trabalho. Uma pesquisa do Instituto Delete, que faz parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que 52,6% dos entrevistados entre 18 e 70 anos instalaram novos aplicativos para diversificar as funções do celular. O resultado? Horas extras com a cabeça baixa para a conta. Para além dos incômodos musculares, a pele do pescoço também sofre com a posição e até ganhou apelido: tech neck ou, em tradução literal, “pescoço tecnológico”.

“Em uma pele fina, com pouca hidratação e sem muitas glândulas sebáceas como a do pescoço, o tech neck intensificará o aparecimento de discretas linhas que, com o passar do tempo, podem se transformar em marcas profundas”, explica a dermatologista Patricia Ludwig.

Por que elas aparecem? Por ser mais sensível e delicada, já se trata de uma região que luta constantemente contra a gravidade e a diminuição da produção de colágeno. Além disso, até quem pratica vários passos na rotina de pele acaba se esquecendo da região abaixo do queixo até o colo. As linhas e marcas causadas pelo tech neck são diferentes daquelas verticais, que aparecem depois de longos períodos de tempo deitada na mesma posição. Geralmente, são horizontais em consequência das dobras na pele. Além da flexão da pescoço por horas, fatores genéticos e radiação solar também contribuem para a flacidez da região.

Volta ao básico.

Para evitar os efeitos na pele e na musculatura, especialistas indicam começar pelo essencial. “Tente se policiar diariamente para retomar a postura. É preciso se reeducar”, argumenta a dermatologista Luciana Maluf. Truques simples, como levantar os aparelhos eletrônicos até a altura dos olhos e controlar o tempo que você passa mexendo nestes gadgets, já podem ajudar. Em tempos de home office, fazer pausas e se movimentar ao longo do dia também ajuda a evitar problemas.

Ginásticas faciais são bem-vindas, especialmente porque fortalecem os músculos e contribuem para a firmeza região. Comece dando leves batidinhas com as pontas dos dedos e, em seguida, coloque um pouco mais de pressão, usando as palmas das mãos sempre em sentido ascendente. “São movimentos de baixo para cima, como uma drenagem no pescoço. Isso traz uma melhora fisiológica de todos estes tecidos da região”, recomenda a médica. Tome cuidado apenas para não estimular excessivamente a região da tireoide.

Skincare do pescoço? Temos!.

Uma rotina dedicada ao pescoço previne a perda de elasticidade da região. Comece pelo protetor solar na região do pescoço, já que a radiação ultravioleta que vem das janelas e de saídas rápidas já influenciam no envelhecimento precoce das células.

Complemente com produtos antioxidantes, caso da vitamina C, para aumentar a produção de colágeno e evitar o surgimento de marcas profundas. Um bom hidratante também é fundamental, especialmente itens com propriedades restauradoras, como retinol e ácido hialurônico, por exemplo.

“Aposte nas fórmulas ricas em Pro-Xylane, arginina e serina, que são substâncias com ação volumizadora e densificadora, promovendo a melhora da firmeza da pele da região”, indica Patrícia Ludwig.

Aliados em consultório.

Caso sinta muito incômodo, saiba que existem opções tecnológicas não invasivas nos consultórios dermatológicos para preencher as linhas e sulcos, além de dar firmeza à região.

“O laser de CO2, alguns tipos de peeling, microagulhamentohidratação profunda injetável e até a toxina botulínica podem ser utilizados para tratamento da região e do contorno facial na parte inferior do rosto”, finaliza Patrícia.

Folhapress