Moradores estão assustados e relatam que ainda estão sendo observados por suspeitos

Um grupo de cerca de 10 homens tentou desapropriar ilegalmente 237 famílias que moram na Ocupação Fazendinha, no bairro Cambeba, em Fortaleza. Cinco deles erampoliciais militares à paisana e foram detidos. O restante fugiu. A tentativa de remoção forçada ocorreu na tarde desta quarta-feira (2). 

Conforme relatos, os homens não apresentaram mandado de reintegração de posse e se identificaram como representantes de uma construtora. 

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Ceará (OAB-CE) acionou a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) para denunciar o despejo ilegal. 

Segundo representante da entidade, metade do grupo já havia saído quando a polícia chegou. Os cinco suspeitos que permaneceram foram conduzidos à Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar (CPJM).

“O major Messias chegou, foi dialogar com os que ainda estavam e identificou serem policiais militares. Ele constatou, portanto, que houve violação da atividade policial e executou a voz de prisão em flagrante”, explica. 

Ele frisa que desapropriações não podem ocorrer sem ordem judicial e que são proibidos despejos durante a pandemia para garantir o direito à moradia de famílias neste período de crise ocasionada pelo novo coronavírus. 

Uma moradora — que terá a identidade preservada — informou que o grupo chegou a apresentar a matrícula de um terreno, mas depois foi verificado que não se tratava do mesmo imóvel. 

“Todo mundo ficou com bastante de medo porque eles estavam armados. De repente, começaram a chegar muitos homens e ficamos apavorados”, relata.

As famílias ocupam o local desde 27 de abril último. Nesta quinta-feira (3), moradores disseramnovamente terem sido vigiados por um casal que “aparentava estar armado” e notaram, também, a presença de um veículo circulando no entorno para observar a comunidade. 

Em nota, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) informa que a ocorrência está em andamento na CPJM, onde os policiais militares e testemunhas estão sendo ouvidas.

O caso está sendo acompanhado pelas comissões de Direitos Humanos da OAB, da Assembleia Legislativa, da Câmara Municipal, núcleos de Habitação e Moradia da Defensoria Pública e de Vítimas de Violência do Ministério Público.

Diário do Nordeste