A divulgação de estudos apontando que a reinfecção por Covid-19 pode trazer sintomas mais graves vem sendo uma nova preocupação para pacientes que já tiveram a doença, principalmente àqueles que ainda convivem com sequelas. Em Alagoas, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), 87 casos de reinfecção foram reportados, dos quais 57 estão descartados e 31 seguem em investigação, sendo a maior parte deles – 20 – na capital. 

Entrevistada pelo CadaMinuto, a médica infectologista Sílvia Fonseca, do Sistema Hapvida, afirmou que a reinfecção é ainda um fenômeno raro: “Alguns casos realmente são mais sintomáticos, mas essa grande onda que estamos vendo não é de pacientes com reinfecção, são pacientes que nuca tiveram Covid antes”.

Silvia explicou que, como se trata de uma doença nova, ainda não se sabe por quanto tempo a pessoa que teve Covid-19 mantém anticorpos protetores no organismo, por isso, para evitar a reinfecção, valem as mesmas regras de proteção. 

“É preciso ter os mesmos cuidados que se tem para evitar a infecção: distanciamento social, uso de máscaras, higienização das mãos com álcool gel ou água e sabonete, não fazer aglomeração e se vacinar quando for sua vez, de acordo com o Plano Nacional de Imunização”, pontuou a especialista.

Frisando que a reinfecção é rara, a infectologista acrescentou que não existe um grupo de risco específico para ela, mas destacou que “pessoas mais expostas ao vírus, como profissionais de saúde e pessoas que se aglomeram, principalmente sem máscaras, estão em risco maior”.

Infectologista Sílvia Fonseca

Sem reação

A jornalista alagoana Anne Caroline teve Covid-19 pela primeira vez em junho de 2020, quando o país atravessava a primeira onda da doença. Para sua surpresa, em março deste ano, ela testou positivo pela segunda vez, mas desta vez, assintomática. 

A minha primeira infecção foi muito sofrida, dolorosa, mas, graças a Deus, não precisei de internamento, o que eu mais temia. Uns cinco dias antes de testar positivo, comecei a sentir muitas dores no corpo. O tempo foi passando e os sintomas só pioraram. Eu vivi uma roleta russa de emoções porque cada dia era um dia diferente, como eu costumava falar para meus amigos e familiares. Depois da dor no corpo, veio a febre. Depois muita diarreia e dores no estômago, tosse, coriza… Em seguida perdi o olfato e paladar”, contou.

Anne lembra que, na ocasião, tudo era muito diferente de agora: “Não tínhamos vacinas e nem estudos consistentes sobre a Covid-19. Também me falavam que a doença só atingia idosos, mas o tempo passou, as novas cepas surgiram, e atualmente sabemos que essa máxima caiu por terra… Perdi três quilos e cheguei a pesar 42 quilos, para uma mulher que tem 1.65 de altura. Foi horrível, mas, graças a Deus, superei e estou aqui para contar a história”.

Meses após se recuperar da doença, a jornalista voltou a trabalhar presencialmente, sem abrir mão de todos os cuidados para evitar o contágio, mas no mês passado deste ano, descobriu que estava reinfectada. “Fiz o teste porque meu pai estava com suspeita da doença, mas, no fundo, não acreditava que poderia testar positivo novamente, mesmo com os novos estudos apontando para a possibilidade, ainda rara, de reinfecção”, relatou.

“Depois que fiz o exame, no mesmo dia, à noite, saiu o resultado positivo. Eu não tive reação, fiquei um minuto parada olhando para a tela do computador, sem conseguir acreditar… Fiquei em isolamento e, a conselho médico, fiz exames preventivos, afinal, hoje em dia já existem casos em que a Covid acomete órgãos do corpo humano mesmo em pacientes assintomáticos, mas todos os exames deram normais”, prosseguiu a jornalista.

Liberada – pela segunda vez em menos de um ano – do isolamento e de volta ao trabalho, Anne fez outros exames que constataram a normalidade de todas as taxas que poderiam ser alteradas pela Covid-19: “Fiquei super aliviada”, concluiu.


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