Mandatos são de busca e apreensão em investigação de desvio de verba

PF faz buscas contra governador do RJ, Wilson Witzel

APolícia Federal (PF) iniciou na manhã desta terça-feira (26) a Operação Placebo, sobre suspeitas de desvios na Saúde do RJ para ações na pandemia de coronavírus. São 12 mandados de busca e apreensão — um deles no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel (PSC).

A PF afirmou que Witzel e a esposa, Helena, são investigados. A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por ordenar ações contra governadores.

Há 15 dias, o Ministério Público do RJ comunicou a Procuradoria Geral da República sobre citação ao Witzel nas investigações.

Equipes também foram mobilizadas para a casa onde Witzel morava antes de ser eleito, no Grajaú, e no escritório de advocacia do governador, que é ex-juiz federal.

O G1 entrou em contato com o governo do estado, mas, até a última atualização desta reportagem, ainda não havia resposta.

Iabas também é alvo

Outro alvo da ação desta terça é o Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), a Organização Social contratada pelo governo do RJ para a construção de sete hospitais de campanha no estado.

Agentes foram para São Paulo, onde fica a sede do Iabas.

Do R$ 1 bilhão que o governo do RJ destinou para o combate à Covid-19, R$ 836 milhões foram destinados para o Iabas.

As obras de seis das sete unidades do governo do RJ estão quase um mês atrasadas – somente o do Maracanã está operando, e uma ala foi “inaugurada” nesta sexta.

Nesta quinta (21), em entrevista ao RJ2, o secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, afirmou que alguns desses hospitais podem não ser entregues. O governo Witzel já pagou um terço do valor acertado com o Iabas.

“A gente está vendo que, gradativamente, está diminuindo o número de casos. Isso faz parte da epidemia. Se a gente perceber que isso vai continuar, a gente vai deixar de construir as unidades, e o valor será devolvido para o Erário”, disse Ferry.

Desse montante – e antes de ter recebido o primeiro leito dos sete hospitais contratados -, o estado já tinha adiantado R$ 256 milhões, em três levas:

Uma de R$ 60 milhões, paga em duas vezes, nos dias 13 e 15 de abril, sem especificação de onde seria o usado o dinheiro;

Uma de R$ 68 milhões, para pagar respiradores e finalização da montagem dos hospitais;

E outra parcela, no valor de R$ 128,5 milhões.

 G1