De acordo com o relatório policial, que a Gazetaweb obteve com exclusividade, os dois são responsáveis por um prejuízo de mais de R$ 180 mil

O prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, e a vice-prefeita Maria Cristina Cordeiro da Silva, foram indiciados, na última quinta-feira (12), por furto de energia. De acordo com o relatório policial, que a Gazetaweb obteve com exclusividade, os dois são responsáveis por um prejuízo de mais de R$ 180 mil.

De acordo com o documento, o crime foi flagrado no dia 22 de novembro de 2016 durante uma operação da distribuidora de energia, à época Eletrobras, com apoio da Polícia Militar. 

Ao chegar no endereço Av. Pres. Fernando Collor de Mello, casa s/n, Bairro Pref. Antônio Lins, os técnicos descobriram na unidade consumidora n. 822033-6 a existência de furto de energia elétrica, socialmente conhecido como “gato”.

De acordo com laudo, que consta nos autos do processo, a prática consistia em retirar o medidor de energia elétrica instalado pela concessionária e realizar a ligação direta entre a energia distribuída pela Eletrobras e a unidade consumidora. “O consumidor investigado ?arrancava? o equipamento capaz de aferir o quantum de energia (KWh) consumida em sua unidade habitacional, lesando a empresa energética e, certamente, a população, porque as perdas e danos empresariais são transferidos ao consumidor honesto por meio do aumento de preço do produto/serviço”, narra o relatório.

No mesmo dia, na mesma avenida em uma residência também sem numeração, constatou-se outro imóvel que supostamente servia à família de Gilberto Gonçalves, cuja unidade consumidora n. 157497-3 estava no nome de Maria Cristina Cordeiro da Silva. 

No local os técnicos da empresa energética confirmaram a prática idêntica de furto de energia elétrica. “A caixa do medidor estava no local, porém não havia medidor dentro da caixa e foi constatada uma ligação direta sem medição (…); havia um desvio de medição. Uma ligação direta da rede de distribuição da concessionária para o imóvel do cliente sem ser registrada por medidor, conforme evidências fotográficas [fotografias no laudo]”, expõe.

O laudo evidencia a materialidade do furto de cerca 102.951 KWh, o que equivalia à época do cálculo a um montante de R$ 93.597,16.

AMEAÇA

Em depoimento à polícia, o técnico da empresa relatou que durante todo o período em que permaneceu no trabalho havia homens em uma pick-up preta, placas MVI-0843, L200 Mitsubishi, intimidando a equipe, perguntando o que a equipe fazia ali. 

CONSUMO

Intimados, tanto o prefeito quando a vice nunca compareceram para se explicar. Em laudo anexo aos autos do processo, há a informação de que a residência do prefeito passou de um consumo abaixo de R$ 50,00 no curso do ano de 2016 para um consumo real médio superior a R$ 800,00, após o ano de 2016.

O OUTRO LADO

A assessoria de imprensa de Rio Largo foi procurada na tarde de terça-feira (17), mas informou na tarde desta quarta-feira (18) que o prefeito está em viagem a trabalho fora da cidade e que ainda não há posicionamento oficial acerca do assunto.

 

 

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