Integrante da Gazeta de Alagoas, Arnaldo Ferreira buscou respostas do governo para falta de estrutura nas delegacias e acúmulo de inquéritos policiais

A coletiva de imprensa sobre os dados da Secretária de Segurança Pública de Alagoas, na manhã desta segunda-feira (5), ficou marcada pelo ataque que o governador Renan Filho (MDB) desferiu contra o jornalista com mais 40 anos de profissão Arnaldo Ferreira, integrante daGazeta de Alagoas. Ele levou ao governador questionamentos efetuadospelo Sindicato dos Agentes da Polícia Civil de Alagoas (Sindpol) e publicados pela Gazeta ao longo das últimas semanas, mas como resposta obteve de Renan uma sequência de ataques de ordem pessoal.

Logo após concluir a apresentação dos dados sobre a Segurança Pública, o jornalista fez uma pergunta sobre a denúncia que o Sindpol fez acerca da precarização que os agentes da Polícia Civil enfrentam nas mais de 140 delegacias em todo estado, além dos mais de 10 mil inquéritos que estão parados por falta de pessoal nas unidades. Outra pergunta feita foi sobre a qualidade dos Centros Integrados de Segurança Pública (Cisp) que, segundo o Sindpol, custam milhões, mas são de péssima qualidade.

Diante das perguntas, Renan Filho se limitou a dizer que os números apresentados pelo Sindpol não são verdadeiros e que o jornalista premiado e com extensa ficha de trabalho prestado por diversos veículos pelo Brasil – como o Globo, Veja, Istoé, TV Band, SBT, entre outros -, estava “com esporas em sua barriga e rédias na sua cabeça”. Apesar dos ataques, Arnaldo seguiu buscando respostas para as denúncias, mas, novamente, foi atacado, tendo o bairro onde reside divulgado pelo governador.

“Vou continuar fazendo o que sempre fiz, que é o jornalismo. Ao longo de 40 anos de profissão, não agradei ninguém nesse período. Não consegui agradar nem os donos das empresas nas quais trabalhei. Penso que foi uma tentativa de intimidação por parte de Renan Filho. Talvez, por ser um jornalista mais antigo, estava agindo dessa forma agredindo, para tentar impedir que outros [jornalistas] mais novos cumpram sua tarefa. Não faço parte da assessoria de imprensa do governador”, expôs o jornalista.

Arnaldo Ferreira declarou, ainda, que as matérias feitas por ele e publicadas na Gazeta de Alagoas e Gazetaweb são um retrato do estado de Alagoas, denunciado por integrantes que compõem as entidades de classe dos servidores públicos. 

“Quero dizer ao governador, o que já disse numa conversa com ele, que sou um trabalhador de uma empresa. Sou um trabalhador profissional. Não estou sobre o ferrão de ninguém, nem sobre o jugo de ninguém. Dos adjetivos que ele direcionou a mim, que ele revise isso porque não vou faltar com respeito com ele, nem com ninguém da família dele. Vou continuar trabalhando enfrentando governos, parlamentares e gestores porque essa é a minha tarefa como jornalista. Não ganho para ser bonzinho. Eu, Arnaldo, não preciso ser deselegante e nem mau educado com ninguém para responder algo”, concluiu o jornalista, acrescentando que as reportagens feitas por ele “não agradam porque elas não são propagandas e que não há retoque nos textos produzidos”, visto que, segundo ele, retratam a realidade.

 

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