Os trilhos estão na meta do Ministério dos Transportes em um cenário de equilíbrio da matriz brasileira de transporte de cargas para 2025.

De acordo com o Plano Nacional de Logística de Transporte (PNLT), a participação do transporte ferroviário na matriz de transporte brasileira passará dos atuais 25% para 35%, a do transporte aquaviário aumentará de 13% para 29%, e a do rodoviário cairá de 58% para 30%.

Mas essa mudança depende de muito investimento, segundo o Ipea. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverá investir R$ 54,72 bilhões. Deste total, R$ 19,8 bilhões serão investidos na construção das ferrovias Norte-Sul, Transnordestina (CE-PE-PI), Oeste-Leste (BA), Ferronorte (MT), o Ferroanel de São Paulo e os contornos de Araraquara (SP), Joinville (SC) e São Francisco do Sul (SC), além de um rebaixamento da linha férrea em Maringá (PR), e R$ 34,6 bilhões no Trem de Alta Velocidade (TAV) para ligar as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas.

O programa destina ainda R$ 300 milhões para a ampliação de ferrovias, eliminação de gargalos, como contorno de cidades e passagens de nível, e estudos de viabilidade.

É inadmissível se pensar numa economia com longas distâncias e produtos de baixo valor agregado com transporte por caminhão. Enquanto um caminhão transporta, no máximo, 35 toneladas, apenas um vagão transporta, em média, 130 toneladas, esclarece o professor de Infraestrutura de Transporte Terrestre da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Oliveira de Souza. A Vale tem composições que chegam a 320 vagões.

Hoje, há quatro grandes eixos ferroviários de carga: Paranaguá-Paraná, Norte- Sul, de Pernambuco e da Bahia, observa o técnico em pesquisa e planejamento do Ipea Bolívar Pêgo Filho

O Brasil não usa quase um terço de seus trilhos ferroviários, além de deixar apodrecer boa parte da pouca estrutura que possui nessa área. Os dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que, dos 28.218 quilômetros da malha ferroviária, 8,6 mil km – o equivalente a 31% – estão completamente abandonados. Desse volume inutilizado, 6,5 mil km estão deteriorados, ou seja, são trilhos que não poderiam ser usados, mesmo que as empresas quisessem.

Dos 20 mil km de malha que são usados no País, cerca de metade tem uso mais intenso. Cerca de 10 mil km têm baixa utilização. Até 2001, 60% do que circulava pelos vagões de trens no Brasil era minério de ferro. Hoje esse volume chega a 77%, porcentual puxado pela Estrada de Ferro Carajás, na região Norte, e pela Vitória-Minas, no Sudeste, ambas controladas pela mineradora Vale.

Atualmente, as estradas brasileiras respondem por 63% do transporte nacional de cargas em geral, enquanto as ferrovias são responsáveis por apenas 21% desse volume, seguidas pelas hidrovias (13%) e pelo setor aeroviário e de estruturas de dutos (3%).

“Os atuais investimentos do governo no setor de transportes refletem a política para o setor. No ano passado, as ferrovias ficaram com apenas 6,5% dos investimentos públicos do governo no setor logístico, enquanto as rodovias receberam 85% do total investido. ” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Fontes – http://www.ipea.gov.br e O Estado de S. Paulo