Vemos o tempo passar, tão veloz e impiedoso que nem sempre temos oportunidade de desfrutar aqueles que poderiam ser considerados bons momentos. Os maus, até dispensaríamos percebê-los.

Gostaríamos mesmo de podermos admirar o trajeto pelo qual o tempo nos leva, mas não conseguimos. Hoje não mais sentimos as mesmas condições físicas e emocionais que nos impulsionavam a apreciar a paisagem e percebemos que tudo vai se diluindo e se tornando pequeno; que os sonhos juvenis vão minguando, vão se tornando insignificantes a ponto de nos livrar do afã de vê-los realizados, como na nossa vibrante adolescência.

As opiniões dos outros, as definições de certo ou errado, as certezas e incertezas, a ambição que nos impulsionava para um futuro melhor, não mais nos atingem, não nos afetam e nem nos fazem falta.

Toda essa inquietação que nos deixava vibrante, passamos a desprezar. Nada mais nos dá certeza e nem nos faz falta. Afinal não levaremos nada dessa nossa última viagem.

E, podemos, numa reflexão isenta de saudosismo, de paixões, e com os pés fincados num solo firme, começar a perceber que nos resta de importante é ter paz, serenidade e tranquilidade para viver sem medo, é fazer o que alegra o coração naquele momento.

Relembrando o passado vejo que nada aprendi. Vejo que toda dedicação numa busca desenfreada pelo saber, não resultou em grande valia. O meu aprendizado serviu apenas para momentos específicos. Esse aprendizado a cada dia vai perdendo sentido.

E o que ficou? Ficou apenas a constatação que o maior valor reside no amor ao próximo…. E nos faz ter a certeza que nada temos. Nada somos.