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Em 1536, há 490 anos, uma rainha cai em desgraça

17 de maio de 1536: ANA BOLENA, rainha-consorte da Inglaterra, tem anulado seu casamento com o rei Henrique VIII. Como consequência imediata desse divórcio, ela é destituída da coroa, e processada por traição e adultério (acusações nunca provadas).

Sua tragédia se consumará radicalmente no julgamento-relâmpago que a condena à morte. Ana será executada em 19 de maio, apenas dois dias depois do divórcio e perda da coroa. Não ter gerado um filho homem (uma menina foi o resultado de sua única gravidez que prosperou) foi essencial para a desgraça da jovem rainha.

Ana Bolena era a segunda esposa de Henrique, que rompeu com a Igreja Católica e criou um culto, o Anglicano, para tornar-se livre das determinações de Roma. A nova igreja foi concebida por ele, dentre outras funções, para aceitar o divórcio. Assim, o rei pode desfazer suas núpcias com a rainha Catarina de Aragão (que também não lhe havia dado filhos homens, mas, felizmente para ela, sobreviveu) e se casar novamente, com Ana Bolena. Henrique VIII se casaria mais quatro vezes, somando seis matrimônios ao todo, e executaria mais uma esposa, a quinta, Catarina Howard, em 1542. Gerou um filho homem com a terceira esposa, Joana Seymour, que – depois da morte do pai – ocupou o trono por breve tempo, como Eduardo VI, mas morreu aos 15 anos, em 1553.

Por ironia, a filha de Ana Bolena com Henrique VIII herda a coroa depois da morte do meio-irmão, e se torna a mais poderosa monarca da história britânica, Elisabeth I, reinando absoluta por 45 anos, entre 1558 e 1603.

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