RODRIGO CUNHA É O PRIMEIRO vencedor das eleições 2026 em Alagoas: ganhou a prefeitura de Maceió numa boa. Sem afobação. E, óbvio, até independente de sua vontade, em perspectiva, seu nome se descortina como candidato natural à reeleição, na condição de favorito, daqui a dois anos.
JHC GANHOU TAMBÉM um tempo precioso – até a convenção, se assim o desejar – para definir o posto ao qual se apresentará. Sua tática de “indefinição” está sendo muito bem utilizada como elemento de negociação. O ex-prefeito de Maceió faz uma análise combinatória metódica das probabilidades, conferindo as combinações possíveis entre seis condições: 1) candidatura ao governo; 2) candidatura ao senado; 3) aliança com o grupo Arthur Lira; 4) aliança com os grupos do MDB; 5) aliança com Bolsonaro; 6) aliança com Lula. Mesmo ele tendo dado um chute na bunda do PL, o bolsonarismo vai deixar de pedir o apoio dele para o filho do presidiário? Mesmo com a passagem de JHC pelo PL, Lula não desejará que ele peça votos para o 13? Qual candidatura a senador e/ou governador achará ruim seu apoio? Sendo candidato ao senado, qual outra candidatura desprezará sua parceria em dobradinha? João Henrique Caldas avalia um conjunto de excelentes alternativas, mas não está isento de erros. E a soberba já fez muita gente perder batalhas teoricamente ganhas.
PAULO DANTAS & RONALDO LESSA ficaram nas cadeiras e não ganharão votos em 2026. É o ônus de não arriscar. Dantas deverá manter os espaços familiares ocupados até agora, podendo avançar umas posições. E Lessa está vendo o PDT ir às urnas sem chances, com a sigla se despedindo do único posto importante que detinha no Estado, a vice-governadoria. Foram decisões conscientes, resultantes da impossibilidade de um acordo político capaz de garantir as renúncias sincronizadas de Ronaldo e de Paulo, assegurando a ambos as condições adequadas para a disputa em outubro. Na dúvida, ficaram onde estão. Depois, recomeçarão do zero. Paulo é jovem, e fortaleceu sua aliança estratégica com Marcelo Victor, o político que mais acumulou poder em Alagoas na década em curso. Ronaldo não se aposentará jamais, sua trajetória diz isso, é um lobo quase solitário, é a liderança alagoana mais ressurgiu das cinzas; e, aos 77 anos a completar no próximo dia 25, exibe a disposição do jovem estudante de Engenharia que, na década 1970, arriscou a vida e a carreira no enfrentamento direto à ditadura militar. Paulo e Ronaldo observaram os cavalos passarem selados em 2026. Não montaram.
RENAN CALHEIROS E RENAN FILHO são as duas candidaturas mais solidamente postadas, ao senado e ao governo, respectivamente. Tudo que é sólido pode se desmanchar no ar, é certo, mas eles avançam firmes, inabaláveis. Os demais espaços majoritários estão voando, aguardando as confirmações dos nomes de peso aventados até agora. Arthur Lira reafirma sua disposição em ser senador, mas postou o filho guardando a vaga para deputado federal, por via das dúvidas; Alfredo Gaspar está entusiasmado para encarar uma postulação majoritária, sua predileção é o senado, mas é pressionado para assumir a campanha ao governo estadual; Davi Davino Filho persevera na raia do senado, mas é mantido em certo isolamento pelas demais lideranças, e até agora não assegurou dobradinhas eficazes (para governo e para a outra vaga senatorial). Das candidaturas a vice-governador, então, ninguém fala. A tensão seguirá até a data-limite das Convenções, dizendo melhor, até o dia do registro das atas.
PARA AS VAGAS PROPORCIONAIS, federais e estaduais, os quadros efervescem de tantas particularidades, potencialidades e temeridades, todas próprias desse tipo de peleja. Conversaremos sobre elas, e sobre a guerra pela presidência da República, em textos específicos, nos próximos capítulos. Aguardem cartas.