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Alagoas pode registrar 350 casos de câncer do colo do útero em 2026

Alagoas deve registrar cerca de 350 novos casos de câncer do colo do útero em 2026, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença está diretamente ligada ao HPV (papilomavírus humano), considerado a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo.

Diante do cenário e da preocupação com o avanço da doença, a Organização Nacional de Acreditação (ONA), por meio de seu membro e oncologista, Aumilto Augusto da Silva Junior, traz esclarecimentos sobre o vírus e a importância da prevenção.

Existem mais de 100 tipos de HPV, que podem atingir pele e mucosas. A transmissão ocorre principalmente durante relações sexuais — vaginal, anal ou oral — por contato direto com pele ou mucosas contaminadas.

O especialista também alerta que o HPV não afeta apenas mulheres. Homens e até crianças podem ser infectados. O vírus está associado a diferentes tipos de câncer, como os de colo do útero, pênis, ânus e garganta.

HPV está ligado a quase todos os casos
O HPV é responsável por 99,7% dos casos de câncer do colo do útero. De acordo com o INCA, esse é o terceiro tumor mais frequente entre mulheres no Brasil, atrás apenas dos cânceres de mama e colorretal.

A estimativa nacional para 2026 é de 19.310 novos casos. Para o triênio 2026–2028, a projeção é de aproximadamente 19,3 mil novos diagnósticos por ano, um crescimento de cerca de 13% em relação ao período anterior.

Infecção pode não apresentar sintomas
O diagnóstico do HPV nem sempre é simples, pois o vírus pode permanecer assintomático por longos períodos.

Quando há sintomas, podem surgir sinais como:

coceira ou ardência na região genital;
desconforto durante relações sexuais;
rouquidão persistente;
dor de garganta;
lesões semelhantes a pequenas verrugas, às vezes com aparência de “couve-flor”.

Exames ginecológicos ou urológicos são fundamentais para identificar a infecção. Em alguns casos, também pode ser indicado o teste de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que identifica o tipo específico do vírus.

Vacinação é a principal forma de prevenção
A principal forma de prevenção contra o HPV continua sendo o uso de preservativo e a vacinação oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses. Para pessoas vivendo com HIV e transplantadas, o esquema prevê três doses (0, 2 e 6 meses).

O público-alvo inclui:

meninas de 9 a 14 anos;
meninos de 11 a 14 anos;
pessoas com HIV e transplantadas entre 9 e 26 anos.

“O principal objetivo da vacinação é gerar imunidade sem que o organismo precise enfrentar a doença. No caso do HPV, isso significa reduzir drasticamente o risco de câncer relacionado ao vírus”, explica o oncologista Aumilto Augusto da Silva Junior.

Falta de informação ainda preocupa
Apesar da vacina estar disponível gratuitamente, a desinformação ainda é considerada um obstáculo para ampliar a cobertura vacinal.

Um estudo da Fundação Nacional do Câncer mostrou que 37% dos adolescentes não sabiam que a vacina previne o câncer do colo do útero. Entre 36% e 57% acreditavam que o imunizante poderia fazer mal à saúde, enquanto 82% pensavam, de forma equivocada, que a vacina protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis.

A pesquisa também apontou que 17% não associavam a vacina à prevenção do câncer, e 22% acreditavam que a imunização poderia estimular o início precoce da vida sexual, um mito já refutado por especialistas.

Diagnóstico precoce pode salvar vidas
Para a ONA, falar sobre HPV também envolve discutir qualidade na assistência à saúde.

Segundo a gerente geral de Operações da entidade, Gilvane Lolato, processos de acreditação ajudam a organizar fluxos de atendimento e a qualificar equipes de saúde.

“Quando o SUS e os hospitais privados passam por processos de acreditação, organizam fluxos, qualificam equipes e padronizam protocolos para que o diagnóstico do HPV e do câncer do colo do útero e de pênis aconteça mais cedo e o tratamento não atrase — porque, nessa área, tempo é vida”, afirma.

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