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A santa semana da multiplicação de trabalho e renda

CHEGAMOS À SEMANA SANTA, um dos períodos referenciais e reverenciais para o catolicismo, tempo no qual é expandida a agenda de celebrações públicas. Esses dias sequenciais compõem o imaginário da maioria da população. Apesar das demais vertentes do cristianismo manterem reservas em relação ao modelo romano, assim como outras religiões não cristãs, o período está consagrado como tempo de férias (para todo mundo) e de devoção (para os católicos).

COMO SABEMOS, 
boa parte dos evangélicos rejeita manifestações como procissões, veneração de imagens, uso da cruz como objeto sagrado, rezas e celebrações específicas e outras particularidades católicas. Consideram, no geral, essas práticas como uma aproximação à idolatria. Daí mantêm alguma distância. Mas toda a sociedade, inclusive a pequena parcela ateísta e/ou agnóstica, adora os dias de folga e se engajam nos rituais que se transformaram – há séculos – em atos culturais populares. Até o uso de frutos do mar e das águas doces alcançou os cardápios de tira-gostos, consumidos à farta, como alternativa às vetadas carnes vermelhas, no acompanhamento das mais variadas opções etílicas, inclusive o vinho. A Semana Santa, com o perdão divino, é um período de fé e farra, queiram ou não as escrituras sagradas.

EM ALAGOAS, 
como, de resto, em todo Brasil, a Semana Santa sempre foi marcada por eventos de grande interesse e participação popular. As encenações da Paixão de Cristo, desde tempos imemoriais, fazem parte do calendário de inúmeros municípios. Algumas, como a encenada no Morro da Massaranduba, em Arapiraca, conquistaram destaque nacional há anos. A experiência da Cidade de Maria e seu espaço cenográfico gigante, em Craíbas, também marcou época. Praticamente todas as comunidades em torno do complexo lagunar Mundaú-Manguaba tiveram ou tem suas teatralizações do sacrifício de Jesus nas praças públicas. E, nos últimos anos, depois de muitas décadas fora de cena, foi retomada a antiga tradição da Procissão do Fogaréu em Marechal Deodoro – a mais bela e impactante das manifestações públicas desse período em Alagoas.

TODOS ESSES ATOS
 religiosos, por sua capacidade de reunir público expressivo, são eventos com o condão de movimentar a economia local. Podem ser bem ou mal aproveitados, mas são expressões verdadeiras das famosas “oportunidades de geração de emprego e renda”. Dando uns passos a mais na parceria público-privada-religiosa, cada um desses eventos pode ajudar (muito mais que o conseguido até hoje) a colocar mais pão e mais vinho nas mesas de muito mais gente que possa supor nossa vã filosofia. Mirem-se no exemplo de Nova Jerusalém, quando a encenação da Paixão de Cristo transformou a economia da região de Brejo da Madre de Deus, no agreste pernambucano. Neste ano, em sua 57° edição, o evento reúne, em média oito mil pessoas por noite de espetáculo, gerando cerca de R$ 150 milhões (estimativa para 2026) para a economia local. O diferencial da experiência pernambucana não é a originalidade da ideia, nem mesmo a magnitude do cenário de pedra, sequer a tecnologia cênica que se moderniza a cada ano… o diferencial da Fazenda Nova pernambucana foi a persistência, a capacidade de seguir adiante sem se deter frente às inevitáveis dificuldades de todo indício de projeto.

ENFIM, ALAGOAS 
tem tudo para apostar mais na Semana Santa como mais um momento miraculoso para o turismo, para multiplicação de postos de trabalho etc. Basta investir e persistir. E por falar nisso, hoje, quinta-feira-santa, insisto: a pedida é a Procissão do Fogaréu, na antiga cidade de Marechal Deodoro. Imperdível. Concentração no Largo Conventual de Santa Maria Madalena, no Centro Histórico, às 23 horas. Não estranhe a cidade sem iluminação, é assim mesmo, como no ano 33. Chegue mais cedo para tomar uma sopa e/ou café com cuscuz no Lourinho. E pode trazer seu vinho sagrado. Amém.

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