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A Dominação Política de Coqueiro Seco: A Família Dâmaso e o Uso do Poder Local

A pequena cidade de Coqueiro Seco, na grande Maceió, permanece sob o domínio de uma das famílias mais influentes e controversas da região, os Dâmaso. Embora a administração local tenha sido “transferida” para um novo nome, a verdadeira potência por trás da gestão continua sendo a ex-prefeita Maria Decele Dâmaso de Almeida, que não apenas mantém seu controle sobre a cidade, mas também expande seu poder com apoio de aliados e uma rede de cargos comissionados.

O “Novo” Prefeito: Laranja ou Gestor?

No início de 2025, Coqueiro Seco empossou o ex-taxista Jadielson Silva do Nascimento como novo prefeito. Contudo, longe de ser o gestor independente que muitos esperavam, Jadielson se tornou, na prática, uma espécie de “laranja” para Maria Decele Dâmaso. Seu salário de R$ 20.000,00, equivalente ao de seu colega prefeito de Maceió, JHC, é um claro reflexo da disparidade entre o tamanho das duas cidades. Coqueiro Seco, com uma população de apenas 4.600 habitantes, tem o mesmo salário de um município com mais de um milhão de moradores, como Maceió. Para muitos, a manutenção do controle familiar sobre a prefeitura é um claro indicativo de que o poder local está longe de ser descentralizado.

Rendimentos Públicos e o Nepotismo: Uma Família Inteira no Comando

Maria Decele Dâmaso, aposentada como professora pelo Estado de Alagoas, ainda recebe R$ 5.000,00 mensais como funcionária comissionada da Prefeitura de Coqueiro Seco. Com um salário generoso, ela continua utilizando carros alugados pela prefeitura, sem licitação, para seu próprio benefício, enquanto administra de longe, sem perder o controle sobre os rumos da cidade.

Não é apenas Decele que continua a se beneficiar dos cofres públicos. Seu filho, Junior Dâmaso, ex-candidato a prefeito de Marechal Deodoro e figura central na política local, também desfruta de benesses públicas. Após perder pela quinta vez a eleição para a prefeitura de Marechal, Junior foi agraciado com cargos comissionados no gabinete de JHC, prefeito de Maceió, e se associou a um novo negócio familiar de criação de camarões em Sergipe.

Sua esposa, Diana Kelner de Almeida, que já era assessora especial de Decele Dâmaso, agora ocupa o cargo de secretária de Finanças em Coqueiro Seco, controlando os recursos financeiros da cidade. Já o filho do casal, Hermanus Bernardus, estudante de veterinária, foi nomeado para um cargo de comissão, mesmo sem experiência ou tempo disponível para exercer as funções do cargo.

Nepotismo: A Tradição Familiar

O caso mais escandaloso do nepotismo praticado pela família Dâmaso é a nomeação de Célia Nadja Palmeira Barros para a Secretaria Municipal de Assistência Social. Desde 2017, Célia ocupa o cargo, sendo sogra de um dos netos de Decele. A situação de Célia é uma das muitas evidências de que a prefeitura de Coqueiro Seco se tornou uma extensão da família Dâmaso, onde a troca de favores e a perpetuação do poder são as normas.

Transparência e Escândalo: O Que Dizem os Portais de Transparência

Os salários e cargos comissionados da família Dâmaso podem ser facilmente acessados nos portais de transparência da Prefeitura de Coqueiro Seco e da Prefeitura de Maceió, mas poucos parecem se incomodar com as irregularidades flagrantes. A transparência pública se tornou apenas uma formalidade, enquanto a verdadeira administração segue sendo uma troca entre aliados políticos e familiares.

O Futuro de Coqueiro Seco: Descentralização ou Continuísmo?

Com toda essa estrutura de poder concentrada em torno dos Dâmaso, a cidade de Coqueiro Seco segue sendo uma espécie de feudo político. O que deveria ser uma gestão pública voltada para os interesses da comunidade se transforma em uma continuidade da velha política coronelista, onde a população, muitas vezes, se vê impotente diante das práticas de nepotismo e má gestão.

A situação atual levanta questões cruciais sobre o futuro da cidade. Será que a população continuará a aceitar passivamente o controle de uma única família sobre os recursos públicos? Ou, finalmente, surgirá uma oposição capaz de desafiar a dinastia Dâmaso e reverter esse ciclo de domínio? Só o tempo dirá, mas uma coisa é certa: o jogo político em Coqueiro Seco, como em muitas cidades brasileiras, continua sendo uma disputa entre aqueles que estão no poder e aqueles que são mantidos à margem.

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