Dietas veganas ao extremo podem fazer mal à saúde, diz nutricionista

As dietas veganas se tornaram populares nos últimos anos. Porém, a versão que aposta apenas em alimentos crus pode ser pobre em nutrientes.

As dietas veganas, à base de vegetais e sem nenhum nutriente de origem animal, se tornaram cada vez mais populares ao longo dos anos, especialmente entre pessoas que buscam uma melhora na saúde. No entanto, a adoção irrestrita do hábito alimentar pode trazer sérios prejuízos à saúde.

De fato, as dietas baseadas em vegetais podem ser muito benéficas e têm sido associadas a um menor risco de doenças cardíacas, além de proporcionarem uma diminuição do peso corporal e dos níveis de colesterol. Porém, algumas pessoas podem levar o hábito ao extremo.

Também tem sido comum algumas dietas serem compostas somente por vegetais crus e sem nenhum tipo de processamento, excluindo aveia e leite de amêndoas, por exemplo. De acordo com os seus defensores, cozinhar os alimentos faz com que eles percam importantes nutrientes e enzimas. Entretanto, pesquisas recentes sugerem que esse tipo de hábito, se seguido por muito tempo, pode fazer mais mal à saúde do que bem.

A nutricionista Laura Brown, professora da Teesside University, no Reino Unido, explica, em artigo publicado na plataforma de divulgação científica The Conversation, os prejuízos da adoção de uma dieta vegana extrema.

“Apesar de a dieta baseada em plantas ter muitos benefícios para a saúde, o regime vegano cru pode, potencialmente, ser um exagero e trazer grandes riscos se não for seguido com cautela. Se você está planejando se tornar um vegano crucífero, é importante planejar com cuidado para garantir que está consumindo todos os nutrientes para uma saúde excelente. Eu também não recomendaria seguir a dieta por um longo período de tempo”, diz a nutricionista.

Perda de nutrientes importantes

Embora alguns vegetais percam nutrientes durante o cozimento, outros são mais interessantes cozidos: o calor ajuda a quebrar as paredes celulares de alguns alimentos, tornando-os mais saudáveis e nutritivos ao corpo.

“Pesquisas sugerem que alguns alimentos crus podem ser mais saudáveis ​​do que alimentos cozidos. Por exemplo, cozinhar faz com que as couves de Bruxelas e o repolho roxo percam até 22% de seu teor de tiamina. Esta é uma forma de vitamina B1 que mantém o sistema nervoso saudável”, explica a nutricionista.

Outros vegetais também são melhores cozidos. O espinafre, por exemplo, depois do cozimento, fornece mais cálcio ao organismo. A pesquisa citada pela nutricionista também descobriu que cozinhar tomates, apesar de reduzir o teor de vitamina C da fruta em 28%, aumenta a quantidade de licopeno, pigmento carotenoide associado à redução do risco de doenças crônicas em mais de 50%.

Além disso, legumes cozidos podem fornecer ao indivíduo mais antioxidantes, ajudando o corpo a combater moléculas nocivas que podem danificar as células e prolongar infecções.

Deficiência de vitaminas e minerais

As dietas veganas baseadas em vegetais crus tendem a ser pobres em substâncias importantes, como as vitaminas B12 e D, selênio, zinco, ferro e dois tipos de ácidos graxos ômega-3.

Todos os nutrientes desempenham um papel fundamental na estrutura, desenvolvimento e produção de células cerebrais e nervosas, além de apoiar o funcionamento do sistema imunológico. Doenças como depressão, alterações de humor e úlceras na boca podem ser causadas pela deficiência deles no corpo.

A falta da vitamina B12 também pode causar um aumento nos níveis de homocisteína, aminoácido presente no sangue que está relacionado com o surgimento de doenças cardiovasculares como AVC, doença coronariana, trombose ou infarto.

As principais fontes desses nutrientes são alimentos de origem animal. Por isso, é importante procurar um nutricionista que possa acompanhar os níveis das substâncias no organismo do indivíduo e orientar a suplementação, quando necessária.

Perda de peso não intencional

Se não for planejada corretamente, a dieta vegana pode levar à perda de peso não intencional. É necessário ter atenção, no decorrer do dia, à quantidade de calorias que o corpo precisa para funcionar corretamente. Segundo a nutricionista, isso é particularmente preocupante em mulheres jovens.

O emagrecimento decorrente da dieta pode causar, em mulheres com menos de 45 anos, amenorreia (ausência de menstruação) parcial ou completa. Pesquisas indicam que 30% das pessoas nessa faixa etária que seguiam uma regime baseado em vegetais crus sofreram com o problema de saúde. A amenorreia pode causar uma série de enfermidades, incluindo infertilidade, redução da densidade mineral óssea e osteoporose.

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