Ontem, em entrevista à TV Pajuçara, Hermano Lopes, que é advogado, rebateu várias informações repassadas pela Polícia, à imprensa. Ele afirma que entregou ao juiz a declaração de rendimentos para comprovar que sustenta os filhos com recursos oriundos do seu trabalho e da aposentadoria da esposa.
Garantiu que não possui antecedentes criminais e nunca foi processado criminalmente, tal qual sua esposa. Sobre sua mudança para o Estado de Alagoas, Hermano conta que decidiram deixar o estado de Goiás depois que sofreram um assalto, há cerca de quatro anos.
Casa onde a família morava no Francês
Questionado sobre as condições dos imóveis onde as crianças e adolescentes foram encontrados, ele explica que todos residiam em uma única casa, que é própria. No entanto, tiveram problemas por causa de abuso de som, em um estabelecimento vizinho, e decidiram alugar duas. Ele estava vivendo em uma delas, com uma quantidade de filhos e Bartyra vivia na outra com demais filhos, por causa da falta de espaço. Para o advogado, as imagens divulgadas na imprensa são resultado da falta de “humanidade do conselheiro tutelar”, que sabia que o imóvel era provisório, já que estavam de mudança para um ambiente maior.
Tortura física e Psicológica
As declarações apresentadas pelo pai adotivo dos menores foram contestadas pelo Ministério Público Estadual, nesta sexta-feira, 9. Em nota à imprensa, o MPE informou que a família começou a ser monitorada em Goiás desde que duas filhas adotivas fugiram de casa e houve a necessidade de propôr uma medida protetiva em favor dos garotos. Tão logo a investigação teve início, o casal fugiu com os filhos sem prestar qualquer tipo de esclarecimento à Justiça Goiana.
Quatro anos depois a família foi encontrada em Marechal Deodoro. Uma equipe multidisciplinar da comarca da cidade foi designada a realizar o estudo do caso da família, requisitado pela Justiça, depois que uma das filhas adotivas fugiu. Durante o processo a equipe detectou que as crianças e adolescentes vivem em condições desumanas e degradantes, submetidas à tortura física e psicológica por parte do casal. O caso segue em segredo de justiça, no entanto, além dos relatos chocantes que constam no processo, o MP dispões de quatro testemunhas que contam, com riqueza de detalhes, o que acontecia dentro do imóvel.
O MPE de Alagoas também informou que entrou em contato com Goiás e sugeriu a “reavaliação dos processos de guarda e adoção de todas as vítimas. Ficou acordado que essas ações serão desarquivadas para revisão”, diz a nota. As crianças e adolescentes querem voltar para a sua cidade natal e não desejam mais permanecer sob a guarda do casal, conforme depoimentos.
Assim que soube da investigação, o casal decidiu fugir novamente. A família estava de malas prontas e pediu a transferência dos filhos, da escola.
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