Relatório foi anexado ao inquérito que concluiu que integrantes do PMDB formaram organização criminosa. Documento diz que grupo recebeu propina no Brasil e no exterior; veja respostas.
Padilha é o atual ministro da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral. Cunha e Henrique Alves, atualmente presos, são ex-deputados e ex-presidentes da Câmara. Geddel é ex-ministro da Secretaria de Governo.
O relatório foi anexado ao inquérito que concluiu que integrantes do PMDB formaram uma organização criminosa.
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A investigação encontrou comprovantes no drousys, sistema de comunicação do departamento de propina da Odebrecht, que confirmam o pagamento à cupula do PMDB para garantir obras públicas para a construtora Oderebrecht.
O que diz a perícia
A perícia concluiu que Eliseu Padilha recebeu sete pagamentos no total de R$ 1,4 milhão, sob o codinome “bicuira”; outros R$ 4,6 milhões, sob o codinome “primo”; e R$ 200 mil, sob um terceiro codinome, um palavrão.
A perícia também comprovou que os documentos indicam pagamentos de R$ 7 milhões a Moreira Franco, identificado como “angorá”.
As planilhas indicam que Eduardo Cunha recebeu recebeu R$ 300 mil sob o codinome “calota” e R$ 28,6 milhões como “caranguejo”.
Geddel Vieira Lima recebeu, sob o codinome “babel”, R$ 2,1 milhões e, em 2013, mais R$ 100 mil.
As planilhas encontradas revelam, ainda, dois pagamentos no valor total de R$ 2 milhões feitos pela Odebrecht em favor do ex-deputado Henrique Eduardo Alves, identificado como “fanho”.
Com as investigações, a Procuradoria Geral da República concluíu que, além desses mais de R$ 46 milhões, pagos no Brasil, à cúpula do PMDB na Câmara recebeu depósitos no exterior que somam US$ 20,8 milhões, relativos a um contrato com a Petrobras.
Michel Temer
Os investigadores afirmam que o presidente Michel Temer também participou das negociações com executivos da Odebrecht que acertaram o pagamento da propina ao PMDB.
A promessa do pagamento de propina pelo contrato com a Petrobras teria sido feita em uma reunião “no escritório político de Michel Temer, no dia 15 de julho de 2010, que contou com a presença dos executivos da Odebrecht Márcio Faria e Rogério Araújo, do operador do PMDB João Augusto Henriques, do próprio Temer, dos ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves.”
Márcio Faria deu detalhes do encontro na delação premiada fechada em dezembro do ano passado:
“Doutor, chegamos, nos anunciamos, foi um… nos colocaram numa sala, numa salinha de espera por muito pouco tempo. Chegando na sala, cumprimentei o ex-deputado Eduardo Cunha, que estava também já na sala de espera. A gente cumprimentou e logo logo fomos anunciados. Fomos anunciados, entramos numa sala maior e que nessa sala estava presente o Michel Temer, ele sentou na cabeceira, como se fosse aqui. Eu sentei aqui. Rogério aqui. Do lado de lá, Eduardo Cunha, o deputado Henrique Eduardo Alves e o João Augusto mais atrás. Foi assim que nós chegamos e ficamos na reunião.”
Segundo Márcio Faria, “ficou acertado que a Odebrecht pagaria ao PMDB propina de 4% do valor do contrato assinado entre a Petrobras e a Odebrecht no dia 26 de outubro de 2010 no valor aproximado de US$ 800 milhões.”
Versões
As defesas de Eduardo Cunha e de Henrique Eduardo Alves negam as acusações.
O ministro Eliseu Padilha disse que, quando as investigações forem concluídas, irá rebater as acusações que ainda restarem.
O ministro Moreira Franco afirmou que repudia as suspeitas porque foram levantadas por delatores que são assumidamente criminosos.
Em nota, o Palácio do Planalto declarou que o presidente Michel Temer contesta de forma categória o envolvimento do nome dele em negócios escusos.
A defesa de Geddel Vieira Lima não quis se manifestar.
A defesa de João Henriques negou que ele seja operador.
