Governo anunciou acordo com a categoria, mas elas dizem que não participaram da negociação
Mulheres dos policiais militares amotinados no Espírito Santo continuam fechando as portas dos batalhões neste sábado (11). Ontem, sexta-feira (10), o governo havia anunciado um acordo com a categoria, mas mulheres dos policiais dizem que não participaram das negociações e que o movimento continua, segundo informações da Agência Estado.
“Esse encontro foi entre as associações de policiais. Mas a paralisação é das mulheres. Nós não participamos dessa negociação. Continuaremos aqui”, afirmou uma das lideranças do movimento, que se identifica apenas como Gilmara.
Ontem, o comandante geral da PM, coronel Nylton Rodrigues, informou que ao menos 703 policiais foram identificados e serão indiciados pelo crime de revolta — evolução do crime de motim — mas deixou claro que esse número deve ser maior — “Todos [os casos] serão analisados pela corregedoria e encaminhados ao Ministério Público Militar. Quem for condenado com certeza será excluído. ” Os demais militares que voltarem ao trabalho às 7h deste sábado, não sofrerão punições administrativas disciplinares. Os policiais indiciados podem ser condenados à pena de 8 a 20 anos de prisão. Segundo a Secretaria de Segurança Pública disse pela manhã, eles deixarão de receber salário e escalas extras desde o sábado passado (4) até a volta ao trabalho.
As mulheres de policiais também poderão ser responsabilizadas pela paralisação. Segundo o secretário, por solicitação do Ministério Público Federal, elas estão sendo identificadas e poderão ser indiciadas em um processo civil. Ele não informou quantas delas.
O movimento, iniciado na sexta passada (3) provocou uma onda de violência no Estado, com saques e depredações, além de 127 assassinatos, segundo o Sindicato dos Policiais Civis -o governo não confirma o número.
O coronel defendeu os pedidos de melhoria das condições de trabalho da PM, mas declarou que essa forma de reinvindicação é uma “insanidade” e pede para que policiais voltem às ruas e dialoguem com o governo — “Não se negocia com arma na cabeça. ”
O governo estadual não atendeu ao pedido de reajuste salarial, mas ficou de apresentar uma proposta no final de abril deste ano, caso a apuração das contas públicas e os resultados fiscais do Estado permitam. Este índice também seria oferecido a outras categorias do serviço público estadual.
O documento de fim do motim é assinado pelo Comitê de negociação, formado pelos secretários de Controle e Transparência, Eugênio Coutinho Ricas, Direitos Humanos, Júlio Cesar Pompeu, Casa Civil, José Carlos da Fonseca Junior e da Fazenda, Paulo Roberto Ferreira. Também assinam a ata o presidente da Associação dos Oficiais Militares do Estado do Espírito Santo (Assomes), Major Rogério Fernandes Lima, o presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS), Renato Martins Conceição, o presidente da Associação dos Bombeiros Militares do Espírito Santo (ABMES), Sargento Sérgio de Assis Lopes e o presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia e Bombeiro Militar do Espírito Santo (Asses), Capitão Paulo Araújo de Oliveira.
Fontes: Notícias ao Minuto e R7
