Tenho observado há muito que alguns trabalhos afirmam que a povoação de Marechal foi iniciada por Taperaguá. Não sou historiador e me considero apenas um curioso que se dedica às pesquisas históricas, o que me leva a contestar tal afirmativa pelos motivos que passo a relatar a seguir.
O navegador Cristovão Jacques recebeu do Rei D. Manoel a incumbência de guarnecer a costa do Brasil e de expulsar corsários franceses que negociavam com os nativos na costa do Brasil. Os primeiros indícios que demonstram a existência do atual município de Marechal Deodoro remontam-se ao século XVI, ano 1522, pelos diversos relatos encontrados que falam da expedição de Cristovão Jackes, enviado por D.João III a esta zona neste ano e, consolidado posteriormente com a expedição de Duarte Coelho no ano 1535 que já se utilizara da feitoria fundada como ponto de apoio. As feitorias criadas procuravam se estabelecer de forma a criar pontos de defesa para as localidades mais críticas para proteger o pau-brasil do contrabando e da ação de piratas e outros.
Ora, por dedução, em se tratando de escolher as localidades, jamais se definiria uma área baixia, que era em grande parte alagadiça (de várzea) e que não se tinha boa visão da lagoa, de onde certamente viriam os invasores. O próprio nome Taperagua, segundo o tupinólogo Teodoro Sampaio (1885-1937), derivado da palavra “taperoá”, e suas variantes taperabá, taperuá, taperaguá, é a forma contrata de taper-uara, significa o morador de taperas (Etimologicamente, a palavra “tapera” surgiu do tupi-guarani taba uêra, onde tabasignifica “aldeia”; e uêra quer dizer “extinta” ou “abandonada”). Por este prisma pode-se deduzir que ali poderia existir uma aldeia indígena abandonada.
Por outro lado, examinando-se as gravuras de Frans Post feitas entre 1637 a 1644 que retrata a cidade, pode-se perceber a localização da povoação da então Vila Madalena de Subaúma, que com a criação do município em 1636, teve o nome de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul. Nas gravuras e no mapa que ilustra o livro de Barlaeus (BARLAEUS – 1647), estampa nº 14, pode-se perceber exatamente o ponto de vista do artista, que deixava à sua direita a lagoa, situando-se à margem do Caminho do Conde, em direção à vila que ficava na parte alta da região. O que seria o lógico, pois de lá realmente se descortina a Lagoa em todas as direções, facilitando a detecção de possíveis invasores.
Portanto, perdoem-me os historiadores, mas esta análise me permite humildemente discordar dos doutos conhecedores das nossas origens, até que me provem o contrário.
