
Obter informações sobre o arsenal do Estado Islâmico é crucial para poder combatê-lo — e, claro, para cortar na fonte o abastecimento de armas e munição. O levantamento mais completo é feito por um organização com sede em Londres, na Inglaterra, chamada Conflict Armament Research (CAR), que envia especialistas para as áreas de conflito com o objetivo de identificar o tipo e a origem dos armamentos usados por grupos combatentes. Um recente relatório da Anistia Internacional baseia-se no levantamento da CAR para listar as principais armas do EI: Kalashnikovs, claro, mas também fuzis M16 (dos EUA), CQ (da China), Heckler & Koch (da Alemanha), FN FAL (da Bélgica), Steyer (da Áustria) e Dragunov SVD (da Rússia), além de mísseis antitanque teleguiados e mísseis terra-ar.
Como revelou uma vídeo-aula que o Estado Islâmico produziu para uso interno e que foi obtido pela TV britânica SkyNews, em janeiro, o grupo possui até um laboratório para o desenvolvimento de armas próprias. Uma delas é um carro-bomba que pode ser conduzido com controle remoto. No lugar do motorista é colocado um boneco com um termostato que simula o calor humano para passar pelos equipamentos de segurança de instalações militares.
Muitas das armas usadas pelo EI são fruto do saque do arsenal do exército iraquiano, que entre 2003 e 2007 recebeu mais de 1 milhão de fuzis, pistolas e outros equipamentos dos Estados Unidos (o governo americano estima que cerca de 190.000 foram desviadas, roubadas ou revendidas), e das forças do ditador sírio Bashar al Assad, que adquiriu seu material bélico principalmente da Rússia, do Irã e da China.
Veja abaixo algumas das armas capturadas no início do ano passado das mãos do EI por combatentes curdos em Kobani, na Síria, segundo este relatório da CAR:
AK-47 Muitos dos fuzis tiveram seus números de série raspados, um indício de que foram comprados de traficantes que queriam ocultar a origem das armas
FN-FAL De fabricação belga, esses fuzis faziam parte dos inventários dos exércitos da Síria e do Iraque e foram, provavelmente, roubados pelo EI
SA-16 MANPAD Nas batalhas por Kobani, o EI utilizou algumas unidades desse sistema de defesa antiaérea portátil, possivelmente traficado da Líbia, onde o grupo tem uma de suas filiais mais fortes
A análise das armas e das munições apreendidas do Estado Islâmico por seus inimigos, como os curdos, permite suspeitar que o grupo também consegue armar-se por meio da compra direta de empresas ou traficantes. Afinal, 10% das munições do EI foram produzidas entre 2010 e 2014, das quais metade são de fabricação búlgara ou chinesa, como conta este artigo da revista Foreign Policy.
fonte:veja
