‘Pau-mandado’ de Cunha, ministro de Dilma diz ao PMDB que quer ficar no governo

O deputado Sérgio Pansera
O ministro Celso Pansera(VEJA.com/Agência Brasil)

Aliado de primeira hora do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em favor de quem trabalhava na CPI da Petrobras, o atual ministro de Ciência e Tecnologia Celso Pansera (PMDB) disse ao vice-presidente e dirigente máximo peemedebista Michel Temer que quer permanecer no primeiro escalão do governo mesmo com a decisão do PMDB de abandonar a gestão Dilma Rousseff. Pansera se reuniu nesta segunda-feira com a presidente e com Temer e deve se licenciar do posto de ministro para votar contra o processo de impeachment que tramita contra a petista na Câmara dos Deputados.

Parlamentar de primeiro mandato, Pansera foi chamado de “pau mandado” de Eduardo Cunha pelo doleiro e delator da Operação Lava Jato Alberto Youssef. Nas investigações sobre o esquema de corrupção na petroleira, o hoje ministro trabalhava para aprovar convocações de familiares de Youssef para constrangê-lo em seus depoimentos. Se confirmada a licença, no entanto, o deputado atuará em sentido contrário ao de Eduardo Cunha, congressista abertamente a favor da deposição de Dilma.

“Minha posição é clara e sempre fui contra o impeachment. Como deputado, vou votar contra o impeachment. Acho que não existe ainda o fato que determina o impeachment. Essa é uma batalha minha. Obviamente o impeachment é um mecanismo constitucional, mas ele tem que ser cumprido com rigor”, disse. “Já comuniquei ao presidente do meu partido, o vice-presidente da República Michel Temer, que meu desejo é continuar trabalhando no ministério”, completou.

Segundo ele, independentemente do desembarque do PMDB no governo, o Ministério de Ciência e Tecnologia, no momento comandado por ele, manterá reuniões e agendas de trabalho. “Nós fizemos reuniões de todo minha equipe. Não vamos parar nenhuma iniciativa. Vou manter minha agenda normal. Estamos cuidando do ministério e vamos ter a serenidade para analisar os próximos fatos. Não acho que a luta política tem que ser levada a esse extremo de desmontar equipes que estão tocando ministérios. Não falo nem do meu, mas da Saúde, da Agricultura, de Energia, ministérios determinantes que tem impactos imediatos. Acho isso um erro”, afirmou.

Nesta terça-feira, o PMDB deve sacramentar, por aclamação, a decisão de deixar o governo. Depois do veredicto da legenda, Celso Pansera disse que pretende conversar com a presidente Dilma para saber se permanecerá no cargo. “Por mim a minha equipe continua trabalhando no ministério até que essa crise tenha um desfecho”, declarou.

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