
Questionada sobre o assunto mais urgente de sua gestão, Dilma saiu-se com a seguinte frase: “Acho que a questão mais importante para o país é a Previdência. Isso não quer dizer que tentativas golpistas não sejam importantes”. E prosseguiu: “A questão do impeachment tem uma repercussão política no médio, longo prazo, que é a estabilidade democrática do país”.
Sobre a Lava Jato, Dilma classificou as recentes mensagens que complicam a vida do ministro Jaques Wagner e ligam ela mesma ao esquema operado na Petrobras como “repetições” e não trazem novidades. “Nos últimos dias têm havido denúncias. São vazamentos. Eu nem sei se as delações tão feitas ou não. Se é mesmo delação, de quem é o vazamento. Essas últimas que saíram são repetições. Mas nós responderemos qualquer coisa em quaisquer circunstâncias. Enviamos a todos os jornalistas que nos pedem as respostas. Nos falta clareza: quem falou o quê? Falou mesmo? Então, por favor, aquilo que está ali é repetição. Parte já é pública e notória”.
Na manhã em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no Brasil subiu a 9% no trimestre encerrado em outubro, Dilma afirmou que “a grande preocupação do governo é o desemprego”. A petista rapidamente jogou a solução do problema para o Congresso. Segundo Dilma, para a retomada do emprego, algumas medidas são urgentes, como o reequilíbrio fiscal. Ela defendeu que o Congresso aprove a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU) e os juros sobre capital próprio e ganhos de capital. “Precisamos reverter a situação que leva à queda da atividade econômica, garantindo equilíbrio fiscal e volta do crescimento”, disse.
A população desocupada alcançou 9,1 milhões de pessoas, um aumento de 5,3% em relação ao trimestre de maio a julho e de 38,3% em comparação com o mesmo período de 2014. Já a população ocupada atingiu 92,3 milhões de pessoas, mostrando estabilidade nas comparações mensal e anual. Entre os setores, a indústria foi o que mais dispensou trabalhadores em um ano, com queda de 5,6% no total de pessoal ocupado no período, o equivalente a 751.000 postos de trabalho.
“Reequilibrar o Brasil em um quadro em que há queda da produtividade implica necessariamente, a não ser que nós façamos uma fala demagógica, ampliar impostos. Estou me referindo à CPMF”, afirmou, ao ser perguntada sobre as dificuldades que o governo terá este ano na relação com o Congresso Nacional. Dilma argumentou que a CPMF é a solução mais viável do ponto de vista da arrecadação do governo, pois é de “baixa intensidade” e ao mesmo tempo “permite controle de evasão fiscal”. Ainda segundo a presidente, o imposto também é o que menos impacta na inflação.
Dilma reiterou a necessidade de uma reforma da Previdência. Segundo ela, há duas alternativas para lidar com o déficit: o aumento a idade mínima para aposentadoria e a continuidade da fórmula 85/95 – soma do tempo de contribuição e idade até atingir 85, para as mulheres, e 95 para os homens.
(Da redação)
