
Alguns dos colaboradores de Macri pediram um café com leite na Casa Rosada, mas também não tiveram sorte. Não havia leite e os encarregados do serviço comunicaram que não tinham autorização para reposição. Computadores, câmeras fotográficas, telefones celulares e até aparelhos de telefone fixos desapareceram das dependências da Casa Rosada. Do escritório do ex-chefe de gabinete desapareceram os seis televisores que o funcionário costumava utilizar para acompanhar as últimas notícias.
Outros escritórios do governo, onde funcionam ministérios e secretarias também foram saqueados. Computadores, televisores, câmeras fotográficas e até telefones e cafeteiras desapareceram durante a transferência de poderes nas distintas administrações argentinas. Em seu primeiro discurso público, o novo diretor do Instituto Nacional de Estatísticas (Indec), Jorge Todesca, denunciou que tinha encontrado uma paisagem de “terra arrasada” no organismo. Todesca não se referia tanto à subtração de equipamentos, mas ao descontrole do organismo. “Há muitas pessoas que não sabem a quem responder ou por que recebem seus salários. Não existem recursos, nem humanos e nem materiais” para realizar o trabalho no Indec, lamentou.
O novo prefeito de La Rioja, Alberto Paredes Urquiza, afirmou que herdou uma situação financeira crítica, com 160 pesos (cerca de 80 reais) no caixa, e adiantou uma investigação sobre o desaparecimento de mobília e ferramentas de trabalho nos escritórios da administração municipal. O novo governador da província de Chubut, Mario das Neves, peronista rival ao kirchnerismo, denunciou que os funcionários da administração anterior – kirchneristas – levaram veículos oficiais, computadores, câmeras e telefones. “Vamos mandar documentos e em poucos dias revelaremos os nomes e sobrenomes para ver se têm um pouco de vergonha”, ameaçou Neves. “Não posso entender que os funcionários que saem junto com o antigo governo não devolvam os pertences do Estado”, insistiu o governador.
