terça-feira, 16 de julho de 2019
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A “Momo” voltou e especialistas orientam como falar do assunto com as crianças

Olhos esbugalhados, pele pálida, cabelos longos pretos e um sorriso sinistro. É assim que a boneca intitulada como “Momo” vem circulando na internet e causando pânico entre os pais de crianças e adolescentes. 

Após o polêmico jogo da “Baleia Azul”, em 2016, que incentivava o suicídio de jovens por meio de uma série de desafios, o “Momo challenge” ganhou repercussão novamente por aparecer em vídeos infantis e incitar a auto-mutilação de crianças. A corrente reacendeu o debate do perigo da exposição de certos conteúdos veiculados nas redes, da incerteza dos pais de como agir, e a cobrança às plataformas digitais.

Quem é Momo?

Segundo relatos ao redor do mundo, os jogos envolvendo a imagem da boneca viralizaram pela primeira vez no ano passado em um número de telefone no WhatsApp. Apesar de ter sido tratado como uma brincadeira de mau gosto, por muitos internautas, alguns contam que, ao entrar em contato com esse número, a boneca enviava mensagens perturbadoras, com dados pessoais, e até ameaças.

Depois de sumir por alguns meses, alguns usuários confirmaram o reaparecimento da boneca no YoutubeKids, uma alternativa da plataforma com conteúdos exclusivamente infantis. Nos relatos, a imagem da Momo incitando ao suicídio surgiu em vídeos de crianças fazendo slime, ou de desenhos famosos como o “Baby Shark”. 

Em poucos dias, a polêmica inundou grupos de pais e escolas no WhatsApp, que entraram em pânico com a possibilidade dos filhos cumprirem o “desafio” da boneca de machucar os pulsos com objetos cortantes. Recentemente, o Youtube se posicionou sobre o caso, afirmando que esse tipo de conteúdo não teria como ser veiculado por violar as diretrizes da plataforma. Boato ou não, a história mostrou a importância de dialogar sobre assuntos como suicídio e os limites da internet.

Limitar e conversar

 

“No grupo da escola dos meus filhos, vários familiares aterrorizados com o que as crianças chamavam de bruxa. Depois, elas ficaram sabendo que todas já tinham assistido ao vídeo da Momo, e tentaram tomar medidas radicais como cortar totalmente o acesso à internet”. O relato da dentista de 35 anos, Carol Mendes, ilustra o desespero e o despreparo de muitos pais diante das ameaças virtuais. 

Mãe da Gabriela, de 8 anos, e Henrique, de 4, a dentista conta que preferiu conversar abertamente em casa sobre a boneca e ressalta que existem diversas formas de prevenção.

“Sempre falo com eles sobre as questões da internet, e, por consequência, ambos acabam me mostrando tudo o que acessam. Para mim, o importante é acompanhar e saciar a curiosidade da criança com cuidado. A internet está aí e cabe a nós procurar ferramentas de monitoramento para os sites e supervisionar”. 

Neuropedagoga e especialista em saúde mental, a psicóloga Wilzacler Rosa concorda que o diálogo é o primeiro passo para tentar combater os conteúdos impróprios. “O recomendado é conversar e questionar com calma, mas sem julgar ou punir aquela criança. Os pais devem procurar saber o que ela entendeu, acessou, o que a Momo pediu pra fazer e os riscos, como dizer a ela que não vai mais poder ver o papai ou a mamãe se obedecer a boneca. É essencial trazer essa problemática de forma responsável, e não sensacionalista e fenomenal. 

Liércio Pinheiro, psicólogo especialista na área educacional, explica que, quanto mais nova a criança, pior a capacidade de lidar com as situações da internet. Entre a fase dos 3 a 6 anos de idade, a estrutura da personalidade ainda está em formação. Por isso, a falta de comunicação pode acarretar em sérias consequências. 

“Sem uma conversa adequada, a criança vai encarar como brincadeira. O pensamento geral é de que o pequeno vai ter medo da boneca, mas, na realidade, ele terá curiosidade. Ele pode seguir as instruções da Momo enxergando tudo como algo engraçado e, assim, ser conduzida a comportamentos auto-agressivos”, explica o psicólogo. 

Em relação à exposição aos inúmeros conteúdos impróprios das redes, Wilzacler orienta que privar não é o melhor caminho. “A solução está em garantir o monitoramento dos sites de risco e não restringir o uso total da internet. Além de observar os aplicativos acessados, hoje existem várias ferramentas específicas voltadas para essa supervisão, que registram tudo o que o filho faz no ambiente virtual”, complementa. 

A escola

Para os especialistas, a dinâmica do diálogo não se limita até a porta de casa. O psicólogo Liércio ressalta que a escola também tem um papel fundamental em guiar a criança ou o adolescente para o consumo de conteúdos saudáveis. 

“A função do educador é estar a par de quais são esses assuntos e como ela [a criança] os acessa. Os professores devem abordar as histórias, mostrando ao mesmo tempo o que é ou não nocivo. É importante mostrar, principalmente, quais caminhos não devem ser seguidos e os pais devem cobrar isso das escolas”, orienta. 

Ele ainda complementa que o tema não pode ser tratado como um tabu no ambiente escolar. “Educação nada mais é do que a possibilidade de levar um assunto que está no seu cotidiano. Ele precisa ser desmistificado e trabalhado junto com os pais. Não é simplesmente levar a boneca e discutir o que é, mas mostrar o que, nessa história, está certo ou errado”. 

 
 Gazetaweb

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