sábado, 21 de outubro de 2017
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Sistema de propinas da Odebrecht registra repasses a Padilha, Moreira, Cunha, Alves e Geddel, diz perícia

Relatório foi anexado ao inquérito que concluiu que integrantes do PMDB formaram organização criminosa. Documento diz que grupo recebeu propina no Brasil e no exterior; veja respostas.

Perícia em documentos encontrados no sistema usado pela Odebrecht para gerenciar os pagamentos de propina registra repasses ao grupo do presidente Michel Temer, formado por Eliseu Padilha, Moreira Franco, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, todos do PMDB.
Padilha é o atual ministro da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral. Cunha e Henrique Alves, atualmente presos, são ex-deputados e ex-presidentes da Câmara. Geddel é ex-ministro da Secretaria de Governo. O relatório foi anexado ao inquérito que concluiu que integrantes do PMDB formaram uma organização criminosa. Leia também: Perícia aponta repasses da Odebrecht no exterior para grupo do PMDB A investigação encontrou comprovantes no drousys, sistema de comunicação do departamento de propina da Odebrecht, que confirmam o pagamento à cupula do PMDB para garantir obras públicas para a construtora Oderebrecht. O que diz a perícia A perícia concluiu que Eliseu Padilha recebeu sete pagamentos no total de R$ 1,4 milhão, sob o codinome “bicuira”; outros R$ 4,6 milhões, sob o codinome “primo”; e R$ 200 mil, sob um terceiro codinome, um palavrão. A perícia também comprovou que os documentos indicam pagamentos de R$ 7 milhões a Moreira Franco, identificado como “angorá”. As planilhas indicam que Eduardo Cunha recebeu recebeu R$ 300 mil sob o codinome “calota” e R$ 28,6 milhões como “caranguejo”. Geddel Vieira Lima recebeu, sob o codinome “babel”, R$ 2,1 milhões e, em 2013, mais R$ 100 mil. As planilhas encontradas revelam, ainda, dois pagamentos no valor total de R$ 2 milhões feitos pela Odebrecht em favor do ex-deputado Henrique Eduardo Alves, identificado como “fanho”. Com as investigações, a Procuradoria Geral da República concluíu que, além desses mais de R$ 46 milhões, pagos no Brasil, à cúpula do PMDB na Câmara recebeu depósitos no exterior que somam US$ 20,8 milhões, relativos a um contrato com a Petrobras. Michel Temer Os investigadores afirmam que o presidente Michel Temer também participou das negociações com executivos da Odebrecht que acertaram o pagamento da propina ao PMDB. A promessa do pagamento de propina pelo contrato com a Petrobras teria sido feita em uma reunião “no escritório político de Michel Temer, no dia 15 de julho de 2010, que contou com a presença dos executivos da Odebrecht Márcio Faria e Rogério Araújo, do operador do PMDB João Augusto Henriques, do próprio Temer, dos ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves.” Márcio Faria deu detalhes do encontro na delação premiada fechada em dezembro do ano passado: “Doutor, chegamos, nos anunciamos, foi um… nos colocaram numa sala, numa salinha de espera por muito pouco tempo. Chegando na sala, cumprimentei o ex-deputado Eduardo Cunha, que estava também já na sala de espera. A gente cumprimentou e logo logo fomos anunciados. Fomos anunciados, entramos numa sala maior e que nessa sala estava presente o Michel Temer, ele sentou na cabeceira, como se fosse aqui. Eu sentei aqui. Rogério aqui. Do lado de lá, Eduardo Cunha, o deputado Henrique Eduardo Alves e o João Augusto mais atrás. Foi assim que nós chegamos e ficamos na reunião.” Segundo Márcio Faria, “ficou acertado que a Odebrecht pagaria ao PMDB propina de 4% do valor do contrato assinado entre a Petrobras e a Odebrecht no dia 26 de outubro de 2010 no valor aproximado de US$ 800 milhões.” Versões As defesas de Eduardo Cunha e de Henrique Eduardo Alves negam as acusações. O ministro Eliseu Padilha disse que, quando as investigações forem concluídas, irá rebater as acusações que ainda restarem. O ministro Moreira Franco afirmou que repudia as suspeitas porque foram levantadas por delatores que são assumidamente criminosos. Em nota, o Palácio do Planalto declarou que o presidente Michel Temer contesta de forma categória o envolvimento do nome dele em negócios escusos. A defesa de Geddel Vieira Lima não quis se manifestar. A defesa de João Henriques negou que ele seja operador.
Fonte: G1

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